Crise sanitária pode empurrar 86 milhões de crianças para a pobreza

Crianças fazem fila em creche em Langa, perto da Cidade do Cabo, em 14 de maio de 2020, para receber uma refeição, que inclui uma sopa feita pela Woodstock Breweries, parte de um projeto de alimentar pessoas vulneráveis durante o 'lockdown' na África do Sul para conter a pandemia do novo coronavírus

A crise provocada pela pandemia do novo coronavírus pode empurrar mais de 86 milhões de crianças para a pobreza até o fim do ano, segundo um estudo conjunto da ONG Save the Children e do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).

Se a previsão se cumprir, o mundo terá 672 milhões de crianças afetadas pela pobreza, 15% a mais que no ano anterior, informaram as duas organizações em um comunicado divulgado nesta quarta-feira (27).

Quase dois terços destas crianças vivem na África subsaariana e no sul da Ásia.

O aumento do número de crianças afetadas pela pobreza ocorreria sobretudo na Europa e na Ásia Central, segundo o estudo, baseado em projeções do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional e dados demográficos de uma centena de países.

"A magnitude das dificuldades financeiras que as famílias enfrentam ameaça o progresso obtido durante anos para reduzir a pobreza infantil", disse Henrietta Fore, diretora do Unicef, citada no comunicado de imprensa.

Com uma ação imediata e efetiva, "podemos conter a ameaça da pandemia que paira sobre os países mais pobres e algumas das crianças mais vulneráveis", disse Inger Ashing, diretora da Save the Children.

As crianças são "muito vulneráveis aos períodos de fome, embora sejam curtos, e à desnutrição, pois podem afetá-los por toda a sua vida", advertiu no comunicado de imprensa.

As duas organizações pedem aos governos que ampliem a cobertura de segurança social e alimentação escolar para limitar os efeitos da pandemia.