Crises gêmeas impedem ajuda de Venezuela de Maduro a Cuba

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A chegada de Hugo Chávez ao poder na Venezuela, em 1999, foi uma grande notícia para Cuba, aliada central e incondicional da autoproclamada revolução bolivariana. Foi o início de uma parceria política que se mantém até hoje e que permitiu a Cuba, onde protestos causaram ao menos uma morte e a prisão de 150 opositores, contar com uma ajuda econômica generosa durante muitos anos.

Analistas venezuelanos estimam que entre 2011 e 2014, a Venezuela enviou à ilha 115 mil barris diários de petróleo, o que equivalia a 70% do consumo interno cubano. Em 2016, apontam os mesmos cálculos, o número caiu para 46 mil barris por dia e desde então o declínio foi progressivo e acentuado.

A Venezuela enfrenta, há anos, uma crise econômica, financeira e social que dificultou o socorro a Cuba. O país sul-americano, que ainda tem a maior reserva de petróleo do mundo, chegou a produzir, nos anos de glória do chavismo, 3 milhões de barris diários de petróleo. Hoje, essa produção despencou, afirmam economistas locais, para menos de 700 mil. Em 2020 faltou gasolina na Venezuela, algo inédito na História do país.

Se não tem para para os venezuelanos, tampouco para os cubanos. As sanções aplicadas pelos Estados Unidos à Venezuela também complicaram o panorama social, hoje dramático em ambos os países. Cuba e Venezuela vivem crises humanitárias que contrastam com as épocas de abundância permitidas pelo petróleo venezuelano e os altos preços dos mercados internacionais.

A Venezuela de Chávez emprestou dinheiro até para a Argentina de Néstor Kirchner (2003-2007), comprando bônus da dívida pública local. Mas Cuba foi, sem dúvida, o país mais favorecido pelos recursos com que contou o chavismo durante os governos de Chávez (1999-2012) e os primeiros anos de Nicolás Maduro no poder.

Hoje, a realidade é bem diferente. A Venezuela, onde a oposição também denuncia sofrer perseguições e violações de direitos, vive um êxodo incontrolável de cidadãos que partem para diversos pontos do continente, entre eles o Brasil, e Cuba é cenário de protestos que não se viam há quase 30 anos na ilha.

Mas a aliança entre os dois governos continua inabalável. O governo cubano é um dos pilares de sustentação de Maduro, junto à Força Armada Nacional Bolivariana (FANB). A denúncia das sanções aplicadas pelos EUA é uma bandeira de ambos, que fortalece a narrativa interna de combate ao inimigo imperialista a quem culpam por todos os males de seus países.

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