Cristiano Ronaldo diz que guarda cinzas do filho em casa e confirma que esteve perto de fechar com o City

A primeira parte da polêmica entrevista de Cristiano Ronaldo ao jornalista Piers Morgan, que gerou até nota oficial do Manchester United após ter trechos divulgados no útimo final de semana, foi transmitida nesta quarta-feira na "TalkTV", no Reino Unido. A edição ainda não trouxe as pesadas críticas que o atleta — que está com a seleção para disputar a Copa do Mundo do Catar — fez ao técnico Erik ten Hag, mas vem com revelações íntimas do craque quanto à perda de um dos filhos gêmeos, bem como a confirmação de que o gajo esteve muito perto de jogar no Manchester City, rival do United.

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Em abril, Cristiano e Georgina Rodríguez, sua namorada, perderam um dos bebês do casal de gêmeos que estavam esperando durante o parto. Apenas a menina sobreviveu. O craque conta que foi difícil explicar aos filhos o que aconteceu.

— Gio chegou em casa e as crianças perguntavam onde estava o outro bebê. Tive uma boa conversa com o Cristianinho no dia, ele tem 12 anos e sabe, entende. Choramos juntos no quarto dele. Ele entende mas não entende ao mesmo tempo, foi confuso — conta ele, explicando que o processo com os outros filhos (Alana Martina e os gêmeos Eva e Mateo, todos com 5 anos) foi mais complicado:

— Depois de uma semana, falei (com Georgina) "vamos ser diretos e honestos com as crianças, vamos dizer que Angel (anjo, em português), que foi o nome que demos, foi para o céu. Foi melhor dessa forma, as crianças entendem sempre. Quando falamos na mesa de jantar dizem "pai, fiz isso pelo Angel" e apontam para o céu. É parte da vida deles, não vou mentir para os meus filhos. Foi um processo difícil, mas ao mesmo tempo me torno mais pai, mais amigo deles. Eles ficam mais próximos a mim e a Georgina, especialmente.

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Ainda sobre a perda, o craque revela que mantém as cinzas de Angel guardadas em casa ao lado das de seu pai. Cristiano compara a morte do filho com a dele, no que consideram os momentos mais dolorosos da vida.

— As cinzas estão comigo, assim como as de meu pai, ficam em casa. É algo que quero ter para o resto da vida e não jogar no oceano. Guardo comigo, próximas às do meu pai. Tenho uma pequena igreja, uma capela em casa, onde guardo. Falo com eles sempre, eles estão do meu lado. Me ajudaram a ser um melhor homem, um melhor pai e uma melhor pessoa. Tenho orgulho das mensagens que eles me mandam, especialmente meu filho.

Retorno aos campos e proximidade do Manchester City

Cristiano diz que a perda do filho aproximou ainda mais ele e Georgina. Afirma ainda que tem planos de se casar com a modelo, mas não traça um prazo. Ele conta que a parceira foi a principal incentivadora para que ele voltasse a atuar, no fim da temporada passada, após um período de afastamento pelo luto.

O craque também agradeceu o apoio generalizado recebido, da torcida do Liverpool (que cantou "You'll never walk alone" em sua homenagem) à família real britânica, que o enviou uma carta por conta da situação.

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— Ela disse "vai jogar, vai aproveitar o que você gosta de fazer". Ajudou a esquecer um pouco a situação. Foi difícil, mas ao mesmo tempo ajuda você a não pensar, treinar é bom. O futebol é muito dinâmico, treinos jogos, até a seleção. As coisas vão tão rápido que você não tem tempo de parar e pensar no que está acontecendo. Mas foi bom, Georgina me ajudou muito a ter estabilidade, a escutar mais.

Essa parte da entrevista traz as críticas de Ronaldo à estrutura do Manchester United, que já haviam sido divulgadas anteriormente por Morgan em sua coluna no tablóide inglês "The Sun". Em um trecho próximo, o gajo fala de quase ter parado no Manchester City, principal rival local do United. Seu antigo técnico de Diabos Vermelhos, Sir Alex Ferguson, foi decisivo.

— Fiquei próximo (do City). Mas com minha história no United, o coração, você se sente como sentia antes (em relação aos dois times), isso fez a diferença. E claro, Sir Alex. Me surpreendi em voltar, mas ao mesmo tempo, foi uma decisão consciente. O coração fala alto no momento — conta ele, antes de revelar mais detalhes da conversa com Ferguson:

— Foi a chave, a diferença naquele momento. Não seria leal dizer que o Manchester City não estava próximo (de me contratar). Mas fiz uma decisão consciente. Não me arrependo, em certo ponto. Como você disse, Sir Alex foi a chave. Falei com ele e ele me disse "é impossível que você vá ao Manchester City" e eu respondi "ok, professor". Tomei a decisão e sempre repito, estava consciente que era uma boa decisão.