Cristina Kirchner pede pacto de governabilidade na Argentina

A vice-presidente argentina Cristina Kirchner pediu nesta quinta-feira (17) a todas as forças políticas que “retomem o pacto democrático” e construam um “consenso econômico”, em um grande ato com líderes e militantes do partido no poder, o peronista Frente de Todos (centro-esquerda).

Recebida com gritos de “Cristina presidenta”, a menos de um ano das eleições, Kirchner dirigiu-se a uma multidão reunida no estádio Diego Maradona, na cidade de La Plata, com capacidade para 60 mil espectadores.

O evento realizado no Dia da Militância, em comemoração ao retorno de Juan Domingo Perón do exílio há 50 anos, não contou com a presença do presidente Alberto Fernández, que estava voltando da cúpula do G20 em Bali.

É a segunda aparição pública de Kirchner desde que ela sofreu um atentado fracassado, em 1º de setembro, quando um homem que se misturou com seus apoiadores disparou duas vezes uma pistola muito perto de sua cabeça, mas a arma não funcionou.

Naquele dia “foi rompido o pacto democrático de respeito à vida”, declarou a também ex-presidente (2007-2015). “É obrigação de todas as forças políticas retomar esse pacto, separando o violento, a linguagem do ódio. Nenhum partido político na Argentina pode voltar a aceitar isso. Seria retroceder às fases pré-democráticas”, acrescentou.

Três pessoas foram processadas e permanecem presas pela tentativa de assassinato. A vice-presidente solicitou há poucos dias a desqualificação da juíza responsável, por considerar que ela não conseguiu investigar as ligações políticas do agressor.

Diante dos militantes, Kirchner criticou o funcionamento do sistema judiciário. “O que há de tão democrático e moderno em seus cargos serem eternos? Nada”, exclamou.

Kirchner, contra quem o Ministério Público pede 12 anos de prisão e inabilitação política, enfrenta um julgamento por suposta corrupção que está em fase final e pode ter um veredicto emitido ainda este ano.

Em seu discurso, a vice-presidente também pediu a “construção de um consenso econômico” para lidar com “os graves problemas” do país.

A Argentina tem uma das taxas de inflação mais altas do mundo (76,6% em outubro) e sua moeda está sujeita a forte depreciação.

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