Público critica ausência de artistas negras na abertura de show de Erykah Badu

Erykah Badu no desfile VOGUE World: New York em setembro de 2022. (Foto: JP Yim/Getty Images for Vogue)
Erykah Badu no desfile VOGUE World: New York em setembro de 2022. (Foto: JP Yim/Getty Images for Vogue)

Uma das grandes referências do soul e R&B, a cantora Erykah Badu anunciou nesta quarta-feira (23) que fará dois shows no Brasil em 2023. Mas apesar dos fãs terem vibrado com a novidade, a escolha dos artistas que vão abrir a apresentação está gerando reclamações nas redes sociais.

No dia 22 de janeiro, a artista norte-americana canta no Memorial da América Latina, em São Paulo, em um evento organizado pelos festivais Nomade e Wehoo. Para abrir o show principal, convidaram os Gilsons, a cantora Céu e a banda Bala Desejo.

Através das redes sociais, fãs de Erykah reclamaram que a curadoria do evento não priorizou a escolha de cantoras pretas e da cena do rap nacional. Nos comentários, muitos elogiaram os trabalhos das três atrações confirmadas no line-up, mas pediram por nomes como Tasha & Tracie, Flora Matos, Tassia Reis, Luedji Luna e Xênia França, entre outros. Confira abaixo:

Sem comentar as queixas, as organizadoras do festival prometeram "um dia histórico na música". “A vibe que a gente proporciona vocês já conhecem BEM! Então podem esperar mais um daqueles dias para guardar na memória com todo amor do mundo”, disseram durante o anúncio. O Yahoo buscou contato com as equipes, mas ainda não obteve retorno.

A cantora Erykah Badu também se apresentará no Rio de Janeiro em 2023. Por lá, a artista é atração confirmada do festival Queremos e sobe ao palco do Vivo Rio no dia 24 de janeiro. Os ingressos para ambas as apresentações já estão à venda nos sites da Sympla e Tickets 360.

Artistas pretos cobram visibilidade

Após o anúncio dos shows de Erykah Badu no Brasil, a cantora Xenia França usou as redes sociais para lamentar a ausência de artistas pretos no evento. De acordo com ela, a escolha deixa claro o desejo que "ignorar o que há de mais original em termos de linguagem contemporânea preta" no Brasil.

Xenia afirma que o line-up de abertura é "totalmente desconectado" com o momento atual da sociedade, com a capacidade de “apagar artistas negro do Brasil, sobretudo as mulheres”.. "Essa artista é uma instituição da cultura preta mundial e todo mundo sabe que ela dialoga com diversos artistas da música preta brasileira", escreveu ela.

Em seu perfil no Instagram, a cantora Luedji Luna compartilhou o desabafo de Xenia e reforçou: “Quem tem medo de tirar uma artista preta da base da pirâmide?”.

"Baduizm" completa 25 anos

Em celebração aos 25 anos de seu primeiro disco, "Baduizm", lançado em 11 de fevereiro de 1997, a cantora vem ao Brasil em 2023 para cantar sucessos como "On & On", "Don't Cha Know", "Window Seat" e "Next Lifetime".

O disco estreou em segundo lugar nas paradas da Billboard dos Estados Unidos e também chegou a ocupar o topo da Billboard Top R&B/Hip-Hop Albums. “Baduizm” ganhou o prêmio Grammy de Melhor Performance Vocal feminina de R&B e Melhor Álbum de R&B.

“’Baduizm’ foi um sucesso instantâneo de existencialismo íntimo. Ele despojou o ato de busca da alma até seus elementos filosóficos, explorando conceitos abstratos como amor-próprio, amor romântico e espiritualidade”, analisou a revista "Pitchfork".