Crivella diz que Rio está ‘tendo menos mortes do que em situações normais’ por dia, mas pede que medidas sejam obedecidas

Luiz Ernesto Magalhães
Agentes funerários retiram corpo de contêiner em hospital da Ilha do Governador

A Secretaria municipal de Saúde do Rio informou nesta segunda-feira que já começou a usar os contêineres refrigerados que foram instalados em hospitais para acumular corpos de vítimas da Covid-19. Segundo a Empresa Pública de Saúde, os cadáveres que estavam em Unidades de Pronto-Atendimentos (UPAs) que não dispõem de necrotérios estão sendo transferidos desde o último sábado para serem armazenados num contêiner frigorífico ao lado do Hospital Ronaldo Gazolla, em Acari, na Zona Norte, referência no tratamento de casos graves da pandemia do coronavírus.

Marcelo Crivella explicou que o uso dos aparelhos foi excepcional no fim de semana e argumentou que, na média, não se pode considerar que houve um aumento considerável de óbitos no Rio:

— Ainda não é o momento de a gente se preocupar. No fim de semana, por falta de resolução da coordenação de controle de cemitérios, tivemos problemas. Havia pessoas sem identificação. Com isso, acumularam-se corpos no Gazolla e tivemos problemas. Estamos tendo menos mortes todos os dias do que em situações normais. Mas os hospitais estão ocupados e contrataram contêineres por prevenção. Neste momento, não é uma realidade (precisar utilizá-los). E esperamos que as medidas sejam obedecidas para que os óbitos não aumentem.

Esses contêineres frigoríficos servirão de abrigos para os corpos enquanto as famílias providenciam o sepultamento. Cada um comporta até 18 cadáveres.

Foram instaladas estruturas refrigeradas em três unidades na capital. No Ronaldo Gazolla, estão três, com capacidade para receber 54 corpos. No Souza Aguiar, no Centro, foi montada uma estrutura para vítimas do hospital e de eventuais óbitos do CER Centro e da maternidade Maria Amélia.

A outra estrutura fica no Hospital Evandro Freire, na Ilha do Governador, com capacidade, por enquanto, para seis corpos. A prefeitura não informou qual a capacidade dos necrotérios dessas três unidades de saúde nem se estão ou não lotados.

Ontem, no Evandro Freire, agentes funerários recolheram um corpo do contêiner. Segundo a família, o paciente não teve coronavírus: morreu de infarto.