Crivella mira voto evangélico de Benedita e sobe tom contra Paes em busca de vitória no segundo turno

Felipe Grinberg
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RIO - Confirmado no segundo turno das eleições municipais, o prefeito Marcelo Crivella (Republicanos) precisará lutar para tirar a vantagem de 400 mil votos entre ele e Eduardo Paes (DEM), que ficou na frente na votação deste domingo. Para isso, Crivella mira o voto evangélico de Benedita da Silva (PT) e o conservador de Martha Rocha (PDT), mesmo sem uma aliança com as candidatas derrotadas no primeiro turno. Na primeira entrevista coletiva após o resultado do primeiro turno, Crivella também subiu o tom contra Paes.

Crivella apostará em uma campanha de desconstrução de Eduardo Paes pelas denúncias de corrupção durante o governo do ex-prefeito, que chamou "de mais corrupto da História" do Rio. Sem apresentar provas concretas, o prefeito ainda afirmou que candidatos ligados à chapa de Eduardo Paes realizaram boca de urna no domingo a favor do ex-prefeito e foram pagos com dinheiro não declarado à Justiça Eleitoral

— Fizeram uma imensa boca de urna com a centena de candidatos da chapa do Eduardo Paes. Denúncias enormes na internet desse maldito esquema. São recursos não contabilizados que são pulverizados na mão de candidatos em notas de R$ 50 e R$ 100.

Para o segundo turno, que será realizado no dia 29 de novembro, Crivella deve ainda nortear sua campanha com temas ligados ao público conservador, com referência ao apoio do presidente Jair Bolsonaro. A briga contra o pedágio da Linha Amarela também será abordado.

Após a campanha do prefeito ter tentado em vão que o presidente Jair Bolsonaro viesse ao Rio antes do primeiro turno, Crivella voltou a convida-lo lara uma agenda no Rio. Com a derrota de diversos candidatos no que Bolsonaro, ainda não é claro qual o movimento que o presidente fará aos candiatos que apoia no segundo turno:

— O presidente foi importantíssimo. O voto dele me honra muito. Sei dos compromissos do presidente, mas se ele puder vir ao Rio será espetacular, vamos caminhar juntos. Não temos do que nos envergonhar, e nosso governo é de mãos limpas. Para ganhar ou perder. Essa é a oitava eleição que eu disputo e já perdi antes. E por acaso me diminuiu? Sai envergonhado? Não — complementou o prefeito. Uma das surpresas negativas de Marcelo Crivella foi a vitória de Eduardo Paes na Zona Oeste do Rio, principal aposta do voto regional do prefeito, que tenta a reeleição. Durante a campanha, a região foi a unica em que Crivella fez caminhadas e corpo a corpo. Das únicas cinco zonas eleitorais que Crivella venceu, quatro foram na Zona Oeste, mas com margens apertadas em relação a Paes. Para o segundo turno, Crivella deve novamente apostar nesta região, que, na sua avaliação, possui o maior público evangélico da cidade.

— A Zona Oeste é onde temos a maior parte dos evangélicos da cidade, e vou me dirigir à eles. Com o tempo de televisão, vamos lembrar a eles, meus irmãos, que o governo de Eduardo Paes foi o mais corrupto do Rio — disse o prefeito.

Crivella critica Fachin

Crivella também atacou o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal e do Tribunal Superior Eleitoral. Neste domingo, o ministro votou pela cassação da liminar que permite que ele concorra, após o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Rio considerá-lo inelegível. A votação no TSE está empatada, pois o relator do processo, o ministro Mauro Campbell, votou pela manutenção da liminar:— Respeito muito o voto do ministro Fachin. O ministro Fachin tem uma certa prevenção contra candidatos evangélicos. O ministro tem direito de votar de acordo com sua consciência. Eu lamento — criticou Crivella.