Defensores e críticos da UE marcham em Roma após cúpula de aniversário

Laura Serrano-Conde e Gonzalo Sánchez.

Roma, 25 mar (EFE).- Milhares de europeus, partidários e críticos da União Europeia (UE), se manifestaram neste sábado em Roma no dia em que os 27 Estados-membros, já sem o Reino Unido, lembraram os 60 anos do Tratado de Roma, que deu origem à Europa comunitária.

Os líderes europeus realizaram o encontro no Campidoglio, sede da Prefeitura de Roma, enquanto nas ruas aconteciam seis manifestações, duas a favor e quatro contrárias ao projeto europeu. As concentrações aconteceram em diferentes pontos da capital, mas nenhuma no centro, onde era realizada a cúpula. A região estava com a segurança reforçada por conta da ameaça terrorista e pelo receio de distúrbios.

Uma das maiores manifestações foi a "Marcha pela Europa" que reuniu 5 mil pessoas, de acordo com os organizadores, com um lema comum: a defesa de uma UE mais solidária e mais unida na gestão do drama migratório, da luta contra o terrorismo e das desigualdades sociais.

A manifestação teve a participação da eurodeputada Maite Pagazaurtundua, do UPyD, que defendeu a união em vez dos nacionalismos.

"Os populistas podem nos levar à ruína. As pessoas têm que saber: não temos 60 anos de paz por acaso, é porque trabalhamos juntos. Se nos separarmos não teremos paz nem bem-estar em um mundo globalizado. O nacionalismo é a grande praga do século XXI", declarou.

Jovens e idosos, italianos, mas também alemães, britânicos, espanhóis, noruegueses, gregos e cidadãos de várias outras nacionalidades caminharam pelas ruas de Roma, carregando bandeiras e cartazes com mensagens em defesa do projeto comunitário.

Esse foi o caso de Gordon, um britânico que mora há 15 anos na Itália, que acredita que a saída do Reino Unido da UE "é uma ideia muito ruim no longo prazo".

"Só juntos, e não isolados, será possível evitar futuras guerras", defendeu.

Pró-europeu também se definiu o grego Nikos Yanis, que disse que se estiver unida a Europa evitará futuros conflitos bélicos no continente.

Já o alemão Peter Osten, de 71 anos, considerou que "não se deve destruir da UE, mas torná-la mais democrática". As italianas Bárbara e Luciana, por sua vez, pediam para os europeus mostrarem a "vontade de permanecer unificados" para impedir o avanço do populismo, "um fenômeno generalizado".

A concentração a favor do bloco aconteceu paralelamente a outros quatro protestos contra a UE. Um deles foi organizado pela plataforma "StopEuro", que esperava reunir 8 mil pessoas, mas que teve menos adesão, apesar de os números oficiais ainda não terem sido divulgados.

Os organizadores disseram que as forças de segurança haviam retido vários ônibus com manifestantes a bordo, impedindo assim que as pessoas chegassem ao local combinado.


"Cerca de 150 pessoas que vinham protestar pacificamente foram retidas e levadas a um centro de identificação. Esse é um dos motivos pelos quais não gostamos desta Europa", disse à Efe Giampietro Giovanni, do sindicato Unicobas.

Para a romena Ana Lung, que estava na manifestação contrária, as autoridades europeias "são criminosas". Enquanto Emanuele Lepore, do partido Comitê de Apoio à Resistência Comunista (CARC), resumiu as reivindicações do grupo com um simples: "Não UE, não Otan e não euro".

A manifestação foi acompanhada vários policiais e helicópteros custodiando o percurso para evitar possíveis distúrbios. O controle aumentou visivelmente na Praça de Testaccio, onde vários caminhões de Polícia ficaram estacionados, com os agentes prontos para intervir no caso de problemas.

Durante o dia, ONGs, como a Save The Children, a Anistia Internacional e a Médicos sem Fronteiras, aproveitaram para chamar a atenção para drama dos refugiados e colocaram uma balsa com a bandeira da UE no Rio Tibre, onde simularam o naufrágio de imigrantes. EFE