FBI diz não ter informações que sustentem acusações de Trump contra Obama

Washington, 20 mar (EFE).- O diretor do FBI, a polícia federal investigativa dos Estados Unidos, James Comey, garantiu nesta segunda-feira não ter informações que sustentem as acusações do presidente Donald Trump contra seu antecessor Barack Obama sobre um suposto grampo telefônico ordenado pelo ex-mandatário na Trump Tower em Nova York.

"Não tenho informações que sustentem esses tweets", disse Comey na primeira audiência pública realizada no Congresso sobre a interferência russa nas eleições presidenciais americanas, em alusão às mensagens de Trump divulgadas há semanas no Twitter para acusar Obama de espionar suas comunicações.

"Nenhum indivíduo nos Estados Unidos pode ordenar a espionagem eletrônica de ninguém, tem que passar por um processo de solicitação", explicou o diretor do FBI, que acrescentou que o Departamento de Justiça também não tem conhecimento de nenhuma prova que possa sustentar as acusações de Trump.

Trump lançou sua acusação contra Obama no dia 4 de março através do Twitter e ainda não apresentou nenhuma prova para respaldá-la.

"Terrível! Acabo de saber que Obama tinha minhas linhas grampeadas na Trump Tower antes da vitória. Nada foi encontrado. Isto é macartismo!", escreveu Trump na rede social ao se referir à "caça às bruxas" liderada por esse senador ultraconservador durante os anos 1950.

Trump chegou a equiparar sua denúncia ao escândalo de Watergate que também envolveu gravações de conversas e acabou com a presidência de Richard Nixon em 1974.

Apesar de Obama ter negado categoricamente as acusações através de um porta-voz, Trump se manteve firme e, na sexta-feira, durante uma entrevista coletiva na Casa Branca ao lado da chanceler alemã Angela Merkel, disse que tanto ele quanto ela têm "algo em comum": ser alvo de espionagem por ordem do ex-presidente.

O comentário de Trump foi uma referência à revelação feita em 2013 de que um telefone celular de Merkel tinha sido 'hackeado' pela Agência de Segurança Nacional dos EUA (NSA, sigla em inglês) entre 2002 e 2012, um período que inclui parte dos mandatos de George W. Bush e Obama. EFE