Pesadelos e vergonhas

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Outros tempos FOTO Pedro Vilela/Getty Images

Aos 49min, Ramon mandou pra gol a melhor chance do Cruzeiro contra a Juazeirense, clube de apenas 15 anos de vida, e que disputa a Série D nacional. A zaga salvou sobre a linha o gol certo de um time errado; no rebote, o atacante mandou o empate no travessão.

A derrota com um gol sofrido aos 40 do segundo tempo, quando seis celestes estavam na pequena área cruzeirense, levou o jogo para os pênaltis, na Bahia. Na cidade dos craques Luís Pereira e Daniel Alves, e João Gilberto e Ivete Sangalo. Dos tempos em que o Cruzeiro era mais do que uma constelação. Não esse buraco espacial que draga tudo que há de celestial.

Nos pênaltis, Rômulo (de todas as bolas tão paradas como o Cabuloso de 2019 para, cá e por ainda um mau tempo) bateu pra grande defesa de Calaça. Felipe Augusto mandaria o segundo pra fora. Matheus Pereira bateria o fatal muito bem defendido pelo goleiro de 39 anos.

Surpresa?

A mesma que a eliminação corintiana depois de ter perdido em casa para o ajustado Atlético Goianiense por 2 a 0. Sylvinho até acertou de novo o sistema defensivo que havia sido pavoroso na ida, na Neo Química Arena. Mas com pouca qualidade técnica do meio pra frente, e gigantesca dificuldade para criar espaços e chances, o empate sem gols e sem grande futebol era esperado como mais uma eliminação prematura alvinegra. Preocupante também financeiramente como será esportivamente fazer um bom BR-21.

Surpresa?

Nenhuma.

Mas chega de falar de falta disso.

Agora vou falar um sonho que tive.

Ou pior...

Acordei mal hoje. Parecia 2002, quando fomos eliminados pelo ASA, na Copa do Brasil. Tive um pesadelo. Algo que usualmente não lembro. Como os sonhos. Nem acordado eu sonho. Pra não me frustrar. Mais gostoso assim. A surpresa de inesperadas Libertadores e Copa do Brasil em 2020 é melhor.

Ainda bem que não teve pênaltis nessas conquistas. Porque meu pesadelo hoje foi que o Palmeiras perdeu para o arrumado CRB no tempo normal e nos pênaltis de novo! Teve uma sequência de seis chutes perdidos pelos dois lados. Pra variar levamos a virada. De novo perdemos um match ball.

Como de novo empilhamos chances. Foram 16 no meu pesadelo. Só duas deles. Um gol loco no começo que instaurou o feeling de Parmerada nas redes. E nada de Palmeiras na do Diogo Silva deles. Fã de São Marcos. E que jogou como tal nos meus pesadelos.

Foram 53 cruzamentos quase todos a esmo. Foram mesmo 35 chutes (96 deles do Scarpa!). Só 10 no gol. Posse de bola não importa. Sonhei com 71% do time quase completo e ofensivo. Mas sem o sangre de Gómez e Viña. Sem as melhores crias da Academia. Sem o melhor do Palmeiras 20-21.

Um pesadelo. A pior partida de Victor Luís. Mayke perdido. Luan mal. Nem Renan tão bem como sempre. Felipe Melo lento. Scarpa fominha - mas ao menos com apetite. Wesley sozinho. Rony parecendo o do primeiro semestre de 2020. Luiz Adriano não aparecendo nunca. E Lucas Lima aparecendo quando não precisava. Até por entrar no lugar do Veiga que jogava pouco. Mas que não podia sair na iminência dos pênaltis.

Um pesadelo. Parecido com o sofrimento de 1999 na Liberta. Pênaltis na final sem Evair expulso. E sem Arce e Alex sacados por Felipão. Mas deu tudo certo. Melhor do que em sonho.

O problema é que alguns pesadelos são melhores do que a realidade. Ao menos servem para acordar o treinador que foi mal com Veiga. Com a direção que vai mal com Abel e com a renovação do elenco. E agora ficará pior sem a grana da Copa do Brasil.

Mas ainda bem que era só um pesadelo

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