Europeus fixam prioridades em negociação e admitem diferenças com o R.Unido

Bruxelas, 3 mai (EFE).- A Comissão Europeia (CE) confirmou nesta quarta-feira as prioridades dos Vinte e sete na primeira fase das negociações sobre o "Brexit", discussões que Bruxelas prevê que serão "difíceis" pelas diferenças entre as partes.

O Executivo comunitário adotou sua recomendação para a abertura das negociações com o Reino Unido, sobre a base das orientações políticas que foram dadas pelos líderes europeus no sábado em uma cúpula extraordinária.

Bruxelas deixou claro que a primeira fase negociadora, destinada a resolver o "divórcio" entre as partes, deve se centrar na proteção dos direitos dos cidadãos (tantos europeus no Reino Unido como britânicos na União Europeia), no acordo financeiro e em evitar uma fronteira exterior entre Irlanda do Norte e Irlanda.

O negociador da CE sobre o "Brexit", o francês Michel Barnier, disse em uma coletiva de imprensa que a UE espera que daqui até os últimos meses do ano exista "suficiente progresso" nesses pontos para poder começar a segunda fase das conversas, em torno da futura relação.

A CE deu hoje assim um passo a mais para o início formal das negociações entre as partes, que começarão após as eleições britânicas de 8 de junho, em meados desse mês, segundo precisou o Executivo comunitário.

Barnier não quis entrar no suposto "desencontro" que ocorreu na quarta-feira em Londres no jantar que junto com o presidente da CE, Jean-Claude Juncker, mantiveram com a primeira-ministra britânica, Theresa May.

No entanto, reconheceu que "as posições (das partes) são diferentes, às vezes muito diferentes", algo que assegurou que "não surpreende ninguém", mas considerou que por esse motivo "é preciso iniciar as negociações o mais rápido possível".

Barnier insistiu que a fatura que os britânicos deverão abonar por sair da UE "não é um castigo e nem um imposto", mas obedece à necessidade de Londres cumprir com os compromissos que adquiriu.

"Deixar a União não é uma cifra, não é um preço a pagar, é uma retirada ordenada com contas a esclarecer", recalcou Barnier, que advertiu que "não respeitar as contas é uma situação que poderia explodir", e mencionou os "problemas políticos e jurídicos" que derivariam da interrupção de projetos e programas que tem a participação do Reino Unido no financiamento.

Por outro lado, não quis especular sobre o custo exato que Londres deverá pagar, que segundo o jornal econômico "Financial Times" poderia chegar a 100 bilhões de euros.

Não obstante, insistiu que será preciso fazer os cálculos sobre a base de uma metodologia que previamente as partes terão que combinar.

Barnier reconheceu, além disso, que o "Brexit" terá um grande impacto.

O negociador enfatizou que a primeira prioridade será a proteção dos direitos dos 3,2 milhões de europeus que residem no Reino Unido e dos 1,2 milhão de britânicos que estão na UE.

Nesse contexto, explicou que será preciso garantir em particular os direitos de residência, trabalho, acesso à previdência social e aos sistemas de saúde, bem como o reconhecimento dos diplomas e outras qualificações.

Esses direitos, segundo a CE, deveriam ser protegidos "durante toda a vida da pessoa afetada".

Também deverão ser garantidos os direitos que correspondam aos cidadãos que tenham vivido ou residido no passado em ambas zonas, segundo a Comissão.

O Conselho (países da UE) deve adotar as diretrizes negociadoras em uma reunião de ministros marcada para 22 de maio. EFE

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