Cuba diz que imunizará sua população contra Covid-19 com sua própria vacina em 6 meses

O Globo
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HAVANA — O diretor do Instituto Finlay de Vacinas (IFV) de Cuba, Vicente Vérez Bencomo, diz que o país pode "imunizar a população cubana contra o vírus SARS-CoV-2 no primeiro semestre de 2021", segundo o jornal oficial Granma desta terça-feira.

Vérez fez a declaração perante o presidente cubano Miguel Díaz-Canel durante uma visita ao IFV, onde são preparadas as duas vacinas candidatas contra a Covid-19: Soberana01 e Soberna02.As "soberanas avançaram de forma importante no ensaio clínico", segundo o diretor, encerrando a fase 1 no dia 01 de janeiro e entrando na fase 2 no dia seguinte.

Bencomo ressaltou que ambas tiveram bons resultados em termos de segurança e resposta imune, mas “a Soberana02, em específico, devido às suas características, tem mostrado uma resposta imune precoce (aos 14 dias), o que nos permite passar para a Fase 2 do ensaio clínico mais rapidamente".

Ele explicou que, em janeiro, cerca de 1.000 voluntários serão vacinados com a Soberana02, “para posteriormente, após as avaliações e autorizações exigidas, entrar na Fase 3” com a participação de cerca de 150 mil pessoas em Havana.

As negociações também estão progredindo para desenvolver a fase 3 do ensaio clínico Soberana 02 em outros países, devido à baixa prevalência de Covid-19 na população cubana, acrescentou.

“À família Finlay, juntamente com os outros centros que trabalharam no desenvolvimento de Soberana, expressamos nossa gratidão pelo que fizeram e respeito e confiança no que vamos continuar fazendo”, disse o presidente Díaz- Canel.

O Centro de Engenharia Genética e Biotecnologia também trabalha em duas outras vacinas candidatas contra a mesma doença, chamadas Mambisa e Abdala.

Cientistas cubanos têm experiência na obtenção e fabricação de vacinas. O programa nacional de vacinação para todas as crianças conta com 11 vacinas contra 13 doenças, sendo oito fabricadas na ilha.

Embora enfrente atualmente um surto de casos com a abertura das fronteiras, Cuba, com 11,2 milhões de habitantes, mantém até domingo a propagação da doença com 11.434 casos e 143 mortes, números baixos se comparados aos seus vizinhos a região.