Cuba impediu entrada de jornalista por vínculos com opositores

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A jornalista cubana, Karla Pérez, em aeroporto na Costa Rica, em 18 de março de 2021

O governo cubano admitiu nesta sexta-feira (19) que impediu a jornalista Karla Pérez de entrar na ilha por causa de seus vínculos com opositores políticos fora da ilha.

Uma funcionária do Ministério das Relações Exteriores também acusou jornalistas independentes, ativistas e organizações internacionais de direitos humanos de fomentar a "subversão" em Cuba.

Pérez, uma jovem de 22 anos recém-formada em jornalismo, foi impedida na manhã de quinta-feira de embarcar em um voo da Cidade do Panamá com destino a Havana e foi forçada a retornar à Costa Rica, onde estudou, para solicitar refúgio.

"São conhecidos os estreitos laços com seu mentor Eliécer Ávila", opositor cubano radicado em Miami, "e com outras autoridades", afirmou Yaira Jiménez, diretora de comunicação do Ministério das Relações Exteriores, em entrevista coletiva.

Pérez estudou jornalismo na Costa Rica desde 2017 e, após terminar a graduação, voltou ao seu país natal fazendo escala no Panamá.

Ela havia retomado os estudos na Costa Rica após ser expulsa da Universidade de Las Villas, na província cubana de Villa Clara, segundo seu relato, por ter participado de um blog crítico ao governo.

"Temos o mesmo direito que qualquer outro país de nos defender", observou a funcionária que acusou o portal independente de notícias ADN, do qual Pérez é colaboradora, de ser a "ponta de lança" de uma operação na quinta-feira contra o ministério.

Relatou que na quinta-feira, pouco depois do meio-dia, cinco pessoas desse portal de notícias foram ao ministério para solicitar informações sobre essa cidadã e depois fizeram uma transmissão ao vivo para divulgar o ocorrido ali.

Eles tinham a "intenção de alimentar uma campanha midiática que já havia sido formulada" horas antes, acrescentou.

Jiménez assegurou que este portal é financiado pelo exterior para realizar "campanhas sistemáticas de provocação, como estratégia de subversão em Cuba".

Também reprovou a adesão à Human Rights Watch (HRW), uma ONG internacional que, segundo ela, "é conhecida por atos de subversão" contra Cuba.

José Miguel Vivanco, diretor do HRW com sede em Washington, disse no Twitter na quinta-feira que "retornar ao país é um direito humano" e condenou esse "abuso gravíssimo".

Ativistas e jornalistas independentes denunciam constantemente nas redes sociais que as autoridades os estão perseguindo, impedindo-os muitas vezes de sair de suas casas, detendo-os por algumas horas e depois liberando-os.

Algumas dessas vozes juntaram-se à reivindicação do caso Karla Pérez na quinta-feira.

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