Blair diz que a paz não teria chegado à Irlanda do Norte sem McGuinness

Londres, 21 mar (EFE).- O ex-primeiro-ministro do Reino Unido Tony Blair, que negociou o acordo de paz da Sexta-Feira Santa (1998), expressou nesta terça-feira seu pesar pela morte de Martin McGuinness e comentou que, sem ele, a paz nunca teria chegado à Irlanda do Norte.

Em um extenso comunicado, o ex-premiê destacou a "liderança" e a "coragem" do ex-vice-primeiro-ministro da Irlanda do Norte e antigo comandante do Exército Republicano Irlandês (IRA) para impedir que "o passado definisse o futuro".

"Seja qual for seu passado, o Martin que eu conheci foi um indivíduo considerado, reflexivo e comprometido", disse Blair, que trabalhou em favor do processo de paz após sua chegada ao poder em 1997.

Em sua nota, o ex-líder trabalhista, que negociou durante dias o acordo de paz da Sexta-Feira Santa junto com o antigo primeiro-ministro irlandês Bertie Ahern, ressaltou que McGuinness "deixou de lado a luta armada em favor da paz".

Em seu comunicado, Blair lembrou os momentos nos quais dialogaram sobre a história irlandesa e a reivindicação republicana.

"Eu escutei. Falamos. E, na medida em que o diálogo transcorria, ele explicou porque pensava que, apesar de toda a reivindicação, havia uma oportunidade para a paz", prosseguiu Blair.

"Durante anos, através de uma árdua negociação do Acordo da Sexta-Feira Santa e nos anos posteriores, conheci Martin muito bem. Nos encontramos muitas, muitas vezes, e, na medida em que a confiança aumentava entre ele, minha equipe, Gerry Adams (o presidente do Sinn Féin) e sua equipe, as discussões foram também cada vez mais abertas, francas e, portanto, produtivas", contou Blair.

O ex-premiê britânico também ressaltou o momento em que viajou para Belfast em 2007, antes de deixar o poder, e viu McGuiness com seu histórico rival, o unionista protestante e ex-primeiro-ministro Ian Paisley, "sentados juntos" no governo autônomo da província.

"Seja qual for seu passado, o Martin que eu conheci foi um indivíduo considerado, reflexivo e comprometido. Uma vez que foi pacificador, fez isto com todo o entusiasmo e sem que faltasse sua oposição determinada para aqueles que queriam seguir com a guerra", destacou o antigo líder trabalhista.

Blair, Ahern e os principais partidos da Irlanda do Norte negociaram intensamente até assinarem em 10 de abril de 1998 o acordo da Sexta-Feira Santa, que pôs fim a quase quatro décadas de conflito sangrento. EFE