Cubano que jogava por clube de Santa Catarina deserta; ele defendia a seleção de seu país

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No fim de setembro, o esporte cubano sofreu aquela que é considerada a maior deserção em massa de sua história. Ao todo, 12 jogadores da seleção sub-23 de beisebol deixaram a equipe durante o Campeonato Mundial da categoria, no México. Este foi apenas o capítulo mais recente de uma longa história envolvendo os esportistas da ilha. A milhas de lá e sem a mesma repercussão, o Brasil também colaborou para esta estatística. Mas no futebol.

Há cerca de duas semanas, o atacante Sander "Keko" Fernández deixou o Navegantes Esporte Clube, da terceira divisão catarinense. Ele não apenas saiu do clube. Abandonou o futebol. Disposto a não mais retornar para seu país, tomou a mesma decisão que seus conterrâneos da seleção sub-23 de beisebol. A notícia da deserção foi divulgada inicialmente pelo jornalista cubano Andy Lans.

Gestor do Navegantes, Carlos Jeová Severo diz não ter mais contato com o atacante. Na última vez em que se falaram, durante os treinos preparatórios para a Série C do estado, Sander pegou dinheiro com ele, mas não comunicou seus planos.

- Ele pegou um dinheiro comigo e sumiu. Era para ter voltado para o alojamento, mas não voltou. Os rapazes falaram que ele está bem. Parece que ele casou e voltou para Porto Velho. Tentei ligar para ele, mas não me atende. Nem responde minhas mensagens - contou Severo.

O vínculo de Keko com o Navegantes se dá através do Instituto Nacional de Esportes, Educação Física e Recreação (Inder). O mesmo ocorre com os outros quatro jogadores do país que atuam no clube: os goleiros Sandy Sánchez e Elier Pozo, o lateral Daniel Morejón e o meia Sandro Cutiño. É a principal instituição oficial do esporte cubano que negocia pelos atletas, não eles mesmo.

O GLOBO conseguiu fazer contato com Keko. Ele não quis conceder entrevista. Mas, numa rápida troca de mensagens, confirmou que não pretende retornar ao seu país. O vínculo com o Navegantes iria até o fim do ano. Depois disso, a não ser que houvesse uma renovação ou o Inder acertasse com outro clube, o atacante deveria regressar a Cuba.

Keko chegou ao Brasil no ano passado, mas como perdeu o período de inscrição no Catarinense, apenas compôs o elenco do Navegantes nos treinamentos. Como, em seguida, o clube ficou um longo período em inatividade, ele atuou por empréstimo no Força e Luz, do Rio Grande do Norte, e no Porto Velho, de Rondônia. De volta ao clube do Sul do país para a disputa da terceira divisão, fazia a pré-temporada até desertar.

Assim como seus compatriotas do Navegantes, Keko vinha defendendo a seleção cubana de futebol nas Elminatórias da Concacaf. Desde março, o Inder permite a convocação de atletas que atuam fora do país.

Agora, o atacante quer recomeçar sua vida com a mulher que conheceu em Porto Velho. Os dois não estão casados, mas vivem juntos. Segundo ele, o futebol lhe pagava muito pouco, o que não o permitia ajudar a família em Cuba. Seus planos, no momento, são encontrar um novo trabalho que ofereça uma condição financeira melhor para enviar dinheiro aos seus parentes. Seja no Brasil ou em outro país.

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