Cuiabá disputa a elite do Nacional com projeto de clube-empresa familiar

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A edição 2021 do Campeonato Brasileiro começa neste fim de semana com um time estreante na elite do futebol brasileiro, o Cuiabá Esporte Clube, responsável por recolocar o estado de Mato Grosso na Série A após um hiato de 35 anos.

Fundada em 12 de dezembro de 2001, a equipe com menos de duas décadas de existência chegou à elite com uma rápida ascensão, impulsionada por um projeto definido por seus gestores como clube-empresa familiar. O modelo tem formato de sociedade limitada, sob as rédeas da família Dresch, que atua na indústria da borracha e adquiriu o time em 2009.

"O meu pai e meu tio são investidores. Já eu e meu irmão atuamos no dia a dia, executando o planejamento estratégico", conta à reportagem Cristiano Dresch, que centraliza as principais funções de comando do clube ao lado do irmão, Alessandro.

O patriarca, Aron Dresch, é também o presidente da FMF (Federação Matogrossense de Futebol). Por isso, ele se afastou da presidência do time e deixou a gestão a cargo dos filhos.

A família gosta de centralizar o poder. Tanto que não há diretor nem gerente de futebol no Cuiabá. As obrigações dessas funções são executadas por Cristiano, enquanto Alessandro cuida da logística.

Neste sábado (29), às 19h, com transmissão do Premiere, o primeiro compromisso será contra o Juventude, que está de volta à elite. O confronto será realizado na Arena Pantanal, onde a equipe manda seus jogos.

O clube, criado em 2001, foi profissionalizado em 2003 pelo ex-atacante Gaúcho, o fundador do time. Sob o comando do ex-atleta, que morreu em 2016, aos 52 anos, vítima de um câncer, as atividades foram interrompidas em 2006, por dificuldades financeiras. Só foi reativado em 2009, já com os Dresch.

Palco de quatro jogos da Copa do Mundo de 2014, a Arena Pantanal foi determinante para os empresários decidirem investir no clube.

"Quando Cuiabá foi confirmada como uma das sedes da Copa, em 2009, a gente viu a possibilidade de ter um time para jogar na futura Arena Pantanal, principalmente porque os clubes daqui estavam com vários problemas de gestão e não conseguiam crescer", diz Cristiano.

Por alguns anos, o estádio conviveu com a fama de "elefante branco", por dificilmente ter jogos ou eventos à altura de sua capacidade, de 43 mil torcedores. A arena custou R$ 670 milhões aos cofres públicos.

Para diminuir a ociosidade do local, o governo instalou no estádio uma escola para cerca de 400 alunos do 7º ano do Ensino Fundamental até o 1º ano do Ensino Médio, a secretaria adjunta de Esporte e Lazer do Estado, uma unidade do Detran (Departamento Estadual de Trânsito), um centro de arrecadação de alimentos e, desde 2020, o Centro de Triagem da Covid-19 na capital.

Quando for possível ter novamente torcida nos estádios, a família terá na estrutura uma possibilidade de aumentar o faturamento do Cuiabá. "Para nós, a arena é um grande motor do clube. Assim que pudermos ter público, vamos ter uma arrecadação muito grande lá", afirma o empresário.

Por enquanto, é a empresa da família que tem injetado dinheiro. Com o acesso à Série A, os gestores esperam tornar a equipe mais independente. Só de cotas de TV, o valor arrecadado saltará de R$ 5,5 milhões, quantia paga na Série B, para R$ 26 milhões, fora o montante variável de acordo com o número de jogos exibidos.

Esse dinheiro permitirá aumentar a capacidade de investimento do clube. Atualmente, a folha salarial do elenco é de R$ 2,3 milhões, mas a diretoria vê margem para esticar a corda até R$ 5 milhões.

Segundo Cristiano, isso só não ocorreu ainda por falta de jogadores no mercado. "A gente tem recursos, mas não consegue contratar um jogador dentro do perfil que a gente acha que vai nos ajudar."

A ideia é continuar a garimpar o mercado ao longo da competição. Para isso, os dirigentes investiram na criação de um departamento de análise de mercado, para avaliar possíveis reforços.

O empresário entende que será difícil a manutenção na Série A sem investimento. "O nosso principal erro na Série C foi este: a gente demorou muito para investir em bons jogadores. Nos primeiros anos, tínhamos uma folha salarial de R$ 180 mil a R$ 200 mil. No momento em que colocamos a folha em R$ 500 mil, R$ 600 mil, a gente conseguiu subir."

Atualmente, o elenco é formado por nomes experientes, alguns bem conhecidos, como o goleiro Walter, o zagueiro Marllon, o lateral Uendel, e o atacante Clayson, todos com passagens pelo Corinthians.

Sem fazer grandes projeções, o time de uniforme verde e amarelo --cores em alusão ao peixe dourado, que é um símbolo do Pantanal-- tem como meta assegurar sua permanência na elite. Desde 1986 um clube do Mato Grosso não chegava à Série A. O último que disputou o torneio foi o Operário.

CUIABÁ X JUVENTUDE

Estádio: Arena Pantanal, em Cuiabá (MT)

Horário: 19h deste sábado

Árbitro: Denis da Silva Serafim (AL)

VAR: José Cláudio Rocha Filho (SP)

Transmissão: Premiere

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