Cuidadora presta depoimento sobre vaga que excluía negras e gordas

Texto dizia que profissional não poderia ser gorda e/ou negra. Foto: Reprodução/Facebook

A Polícia Civil de Minas Gerais ouviu, nesta quinta-feira (14), a cuidadora de idosos que recebeu uma mensagem com conteúdo racista de uma recrutadora de empregos. De acordo com Elisângela Carlos Lopes, de 41 anos, ela foi vetada de um processo seletivo da empresa Home Angels Franchising.

Em seu depoimento, a cuidadora de idosos disse que a empresa contratante exigia que a profissional não poderia ser negra e/ou gorda. Segundo o que Elisângela disse à polícia, ela chegou a argumentar com a psicóloga que intermediava a negociação da empresa com os possíveis funcionários.

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Em imagem que circula pelas redes sociais, é possível ver que o texto da mensagem diz que a empresa estava requisitando 10 profissionais para trabalhar como plantonistas. De acordo com o suposto anúncio, elas iriam receber R$ 100 e vale transporte por plantão.

Porém, em determinada parte do texto que foi enviado à cuidadora é dito: “Únicas exigências: não podem ser negras, gordas e precisam de pelo menos três meses de experiência”. Durante o seu depoimento, a profissional afirmou que chegou a dizer que tinha vasta experiência na área e que poderia ocupar a vaga tranquilamente. Porém, ela recebeu uma negativa como resposta.

A psicóloga teria reforçado a exigência da empresa contratante e ainda teria oferecido um acompanhamento psicológico para a cuidadora. Agora, o caso está sendo investigado pela Polícia Civil de Minas Gerais.

Por meio de nota de repúdio, a Home Angels Franchising afirmou que “tomou conhecimento que um colaborador de uma unidade franqueada teria realizado atos discriminatórios em face de negros e obesos em um processo seletivo”. 

“Repudiamos veementemente o fato ocorrido. Somos uma empresa com valores sociais e humanos e que tem entre os seus valores, o respeito ao próximo e a igualdade de tratamento, independente de sexo, cor e credo", afirmou a empresa.

De acordo com a nota, a empresa tomou providências imediatas para "apuração dos fatos mencionados com a unidade franqueada, a qual o colaborador está vinculado".

Segundo informações das autoridades, os envolvidos no caso serão intimados a falar sobre o ocorrido nos próximos dias. Se ficar confirmado que houve discriminação, os investigados vão responder por racismo. O crime tem pena prevista de dois a cinco anos de prisão.