'Não sei se é culpado ou inocente', diz Bolsonaro sobre ministro denunciado

Foto: Aloisio Mauricio/Fotoarena/Sipa USA)(Sipa via AP Images

Resumo da notícia

  • Presidente diz que há "exagero" em inquérito sobre candidaturas "laranjas" do PSL

  • Bolsonaro nega que EUA tenham quebrado acordo ao não indicar Brasil para a OCDE

Por Marcos Tordesilhas

O presidente Jair Bolsonaro comentou nesta quinta-feira (10), em sua live semanal no Facebook, sobre o inquérito que envolve a suspeita de candidaturas "laranjas" de seu partido, o PSL, nas eleições do ano passado. Um dos envolvidos é o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, presidente licenciado do PSL em Minas Gerais.

O caso, conhecido como 'laranjal' do PSL, tem rachado os parlamentares do partido e pode causar uma debandada de congressistas para outras siglas - movimento que seria liderado pelo próprio Bolsonaro em oposição ao presidente do PSL, o deputado federal Luciano Bivar (PE).

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Na live desta quinta, Bolsonaro se defendeu das acusações que envolvem um possível uso de caixa dois na campanha e disse não saber se Álvaro Antônio é culpado ou inocente, enquanto criticava uma reportagem da Folha de S.Paulo.

A matéria, publicada no último dia 6, cita um depoimento de um ex-assessor parlamentar de Álvaro Antônio à Polícia Federal. O assessor afirma que os valores que seriam distribuídos para candidaturas laranjas podem ter sido usados, na verdade, para pagar material de campanha de Bolsonaro e do próprio ministro do Turismo, que foi o deputado federal mais votado em MG.

"Pelo amor de Deus, desde o dia 6 de setembro até o final das eleições, eu estava no hospital em casa com uma bolsa de colostomia. Não usei 1 centavo do fundo partidário", disse Bolsonaro, afirmando que gastou metade dos R$ 4 milhões que arrecadou para a campanha e negando o uso de caixa dois.

"O que aconteceu aqui: um delegado da PF fez a pergunta para o cara: 'esse recurso que seria o caixa dois foi usado na campanha de Jair Bolsonaro?' Ele falou 'acho que sim'. Pronto! Me carimbaram no processo. É uma covardia. Quem fez o inquérito fez de má fé, ou devia se aprofundar. Essa é uma pergunta que se faz? 'Acho?' E aí coloca lá?", reclamou o presidente.

Na sequência, Bolsonaro citou o ministro do Turismo. "A intenção não é atingir o ministro Marcelo Álvaro Antônio. Não sei se ele é culpado ou se é inocente. Pelo que sei até o momento, está um exagero no inquérito. Vamos aguardar o desenrolar do processo. Mas a intenção não é o Marcelo, sou eu. Querem me rotular como corrupto ou dono de laranjal."

Na live, o presidente também criticou outras reportagens e negou que há uma reforma ministerial nos planos do governo.

Brasil na OCDE

Outro ponto que Bolsonaro comentou foi o fato de o Brasil ter ficado de fora da lista de indicados dos Estados Unidos para a OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico), divulgada nesta quinta, quebrando um possível acordo que o governo teria acertado com Donald Trump, a quem Bolsonaro se alinhou desde o início de sua gestão.

Argentina e Romênia, que estariam na frente do Brasil na "fila" para entrada na OCDE, foram os indicados pelo governo americano. A Embaixada dos EUA, em nota oficial, disse que apoia a entrada do Brasil na organização, mas não citou prazos para essa inclusão.

Na transmissão, Bolsonaro disse que não houve quebra de acordo entre EUA e Brasil.

"Estive duas vezes nos Estados Unidos e conversei com o Trump sobre nossa entrada na OCDE. Pedi para ele, na primeira vez que estive lá. Mas não depende só dele. Tem que procurar todos os países e ter unanimidade", afirmou Bolsonaro. "Argentina e Romênia estavam na frente. Não queremos torcer para que ninguém fique para trás", disse.

"Não é chegou e vai entrando, é conta-gotas, para que esse país cumpra o que está no estatuto da OCDE. Vai chegar a hora do Brasil. Se Deus quiser, daqui um ano, um ano e pouco, estaremos dentro", concluiu.