Cultura acessível: professor reúne moradores e cria biblioteca popular em Anchieta

Um sonho coletivo agora se transformará em realidade com a inauguração da biblioteca A Casa Amarela, neste sábado (11), às 10h, na Praça Nazaré, em Anchieta. O espaço, construído dentro de uma casa com nove cômodos, funcionará de segunda a sábado, das 9h às 19h. Além dos quatro mil livros disponibilizados para empréstimo, graças às doações feitas por moradores, professores e apoiadores, estarão à disposição uma brinquedoteca, um espaço para cursos e outro voltado às artes visuais.

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Basta fazer cadastro para pegar livros emprestados. A distribuição, gratuita, contará com o compromisso do leitor de, assim que terminar a leitura, passar a obra adiante. A programação contará com atividades lúdicas e educacionais, oficinas literárias, reforço escolar, escrita criativa, aulas de inglês, leitura dramatizada, gastronomia, teatro e artes visuais.

Outra área de atuação da Casa Amarela será a socioeconômica. Por meio de parcerias, os organizadores pretendem distribuir cestas básicas, fazer serviços sociais e oferecer cursos de qualificação.

O local nasceu pelas mãos de um grupo de moradores envolvidos com ações no bairro, reunidos em torno de uma ideia do professor Pedro Gerolimich. A partir da vontade de promover o acesso à cultura em Anchieta, o grupo investiu na proposta, acreditando que a iniciativa mudará o entorno, formando cidadãos com pensamento crítico e autonomia.

— Gosto muito de uma frase do Raul Seixas que diz: “Sonho que se sonha só é só um sonho, sonho que se sonha junto vira realidade”. E a Casa Amarela surgiu porque um grupo de moradores passou a sonhar junto comigo. Eles colocaram a mão na massa comigo para que o sonho pudesse se tornar realidade — afirma Gerolimich.

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À frente da diretoria da Casa Amarela como coordenador-geral, Gerolimich conta sobre o surgimento da ideia de fazer uma biblioteca no bairro periférico:

— Esse projeto vem se desenhando na minha cabeça desde o início da retomada das atividades presenciais. Acho que a pandemia nos fez voltar a questões a que antes não dávamos a devida atenção. São questões como solidariedade e afeto, que tiveram todo um ressignificado na minha vida. Por isso comecei a compartilhar esse sonho, primeiro com minha família e os amigos. E aí tudo foi crescendo, e o sonho passou a ser o sonho de outras pessoas também, até se tornar realidade.

Outro projeto seu é o Livro de Rua, que já distribuiu gratuitamente mais de 100.000 exemplares de livros por diversos bairros do Rio de Janeiro. À frente da diretoria da biblioteca como coordenador geral, Pedro conta como surgiu a ideia de fazer uma biblioteca no bairro periférico.

— Esse projeto vem se desenhando na minha cabeça desde o início da retomada das atividades presenciais, acho que a pandemia nos fez voltar a questões que antes não dávamos a devida atenção, são questões como solidariedade, afeto, até mesmo um simples abraço tiveram todo um ressignificado em minha vida, por isso comecei a compartilhar esse sonho, primeiro com minha esposa, minha família, amigos, daí tudo foi crescendo e o sonho passou a ser o sonho de outras pessoas também, até se tornar realidade — explica.

Outro projeto de Gerolimich é o Livro de Rua, que já distribuiu gratuitamente mais de cem mil exemplares por diversos bairros do Rio.

Além disso, a existência do local também é uma realização pessoal para o professor.

— A Casa Amarela significa um resgate da minha infância e das minhas memórias afetivas. Eu tenho 40 anos, mais da metade da minha vida eu passei em Anchieta. Hoje eu voltei a morar no bairro por conta da biblioteca. Então, ela significa um resgate dessas memórias — complementa.

O projeto possui parceria com a Secretaria de Estado e Economia Criativa do Rio de Janeiro, a Universidade Federal do Rio de Janeiro e também com a Central Única de Favelas. A equipe da biblioteca é formada somente por moradores, dentre eles estão Lúcia Lino, a bibliotecária, Eduardo Salles e Carolina Pizoeiro, no financeiro, e Julia Santos, Patricia Montes e Ana Dutra, na mobilização. E também estão abertas vagas para pessoas com interesse em ensinarem nas oficinas realizadas pela biblioteca.

*Estagiária, sob a supervisão de Milton Calmon Filho

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