Cunha diz que votação de projeto que regulariza bens no exterior deve ficar para 4ª

Presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, durante seminário em Brasília. 03/11/2015 REUTERS/Ueslei Marcelino

(Reuters) - O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), afirmou nesta segunda-feira que a votação do projeto de regularização de bens no exterior na Casa deve ficar para quarta-feira. O governo tem pressa para votar o projeto, que faz parte das medidas de ajuste fiscal enviadas pelo Executivo ao Congresso, mas a medida provisória 688, que autoriza uma compensação às hidrelétricas do Brasil após perdas de faturamento com a seca, chegou à Casa e tem prioridade sobre o projeto de lei da regularização. "Ele (projeto da regularização de bens no exterior) tranca a pauta. Nós temos uma medida provisória complexa, que entrou na frente, que é a 688, e deverá ser votada amanhã. Não acredito que amanhã consiga vencer os dois", afirmou Cunha. "É difícil (votar a regularização de bens na terça). Não dá para descartar, mas a 688 não é uma medida provisória simples. Ela deve ter destaques, deve ter votações nominais. Nós temos feito um acordo para esticar a quarta e não a terça-feira até de madrugada. Muito provavelmente, se concluir a medida provisória 688 até amanhã, talvez eu faça sessões extraordinárias na quarta-feira", afirmou. O Palácio do Planalto tem a expectativa de que o projeto de lei de regularização de bens não declarados no exterior seja votado na terça, depois de a votação ter sido adiada na semana passada. Também nesta segunda, durante reunião de coordenação política, a presidente Dilma Rousseff pediu agilidade na aprovação de medidas de ajuste fiscal enviadas pelo Executivo ao Legislativo. CHUVA E SOL Cunha foi irônico ao responder pergunta sobre se havia clima para que ele permanecesse no cargo em meio às denúncias de irregularidades que pesam contra ele. O presidente da Câmara é alvo de uma representação no Conselho de Ética da Casa que pede sua cassação por quebra de decoro parlamentar, além de ter sido denunciado e ser alvo de um inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF). "Não estou preocupado com clima, chuva, sol. Eu vou continuar presidindo a Casa", assegurou. O presidente da Câmara é acusado de ter recebido pelo menos 5 milhões de dólares em propina do esquema de corrupção na Petrobras e de ter contas bancárias não declaradas na Suíça, o que ele negou em depoimento à CPI da Petrobras. Cunha nega irregularidades. "Eu tenho que apresentar a minha defesa com um fato real, não posso apresentar minha defesa com suposições, e o fato real foi apresentado. A partir daí, vamos ter a condição de provar e lembrando sempre bem, o ônus da prova é de quem acusa", disse. (Por Eduardo Simões, em São Paulo)