Cúpula do PL se irrita com radicais bolsonaristas e com "pedido para anular eleição"

Valdemar Costa Neto, presidente do PL; Ala da sigla defenda que partido tente anular eleições presidenciais, que terminou com derrota de Bolsonaro para Lula - Foto: REUTERS/Adriano Machado
Valdemar Costa Neto, presidente do PL; Ala da sigla defenda que partido tente anular eleições presidenciais, que terminou com derrota de Bolsonaro para Lula - Foto: REUTERS/Adriano Machado
  • Ala radical do PL incomoda cúpula do partido após rumores de pedido para contestar eleições;

  • Circulação de informações sobre atitudes que a legenda não pretende tomar também gera incômodo;

  • Avaliação é de que o cenário atrapalha a costura de uma oposição forte ao governo de Lula.

A cúpula do PL, partido de Jair Bolsonaro, está irritada com a ala radical que não aceita a derrota do presidente nas urnas e com a circulação de informações sobre atitudes que não pretende tomar. A avaliação é de que o cenário gera constrangimento e atrapalha a organização de uma oposição forte ao futuro governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A situação que mais incomodou o partido foi o discurso de que o PL iria pedir a anulação das eleições com base em um relatório feito pelo Instituto Voto Legal (IVL), contratado pela legenda para realizar uma espécie de auditoria do processo eleitoral.

O documento foi divulgado pelo site O Antagonista na terça-feira (15). Horas depois, o PL negou a intenção e informou que o texto era “obsoleto”. "Ainda não foi divulgada qualquer versão final do relatório, temos estudos em andamento. A versão publicada pelo Antagonista é obsoleta e não está assinada por ninguém", afirmou em nota.

À coluna de Juliana Dal Piva, do UOL, a cúpula do PL tenta encontrar um equilíbrio entre atender às demandas de Bolsonaro com o relatório e não se envolver em nenhuma ruptura institucional. Na visão do partido, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e STF (Supremo Tribunal Federal) exageraram ao suspender contas de membros da direita e do PL, mas ponderam que qualquer ação teria que ser tomada durante a campanha, e não após a derrota nas urnas.

Já na ala radical, está a deputada federal Carla Zambelli, vista como uma das que mais irritam a legenda, segundo a coluna de Bela Megale, do portal O Globo. Para o PL, a parlamentar só investe em ações para alimentar sua própria base. Ela é, inclusive, apontada como uma das responsáveis pela derrota de Bolsonaro, após o episódio em que perseguiu um eleitor de Lula com uma arma na mão.

Apesar de considerar as exigências do atual mandatário – como a contratação do IVL -, o PL espera que Bolsonaro saia da reclusão e comece a liderar a oposição ao próximo governo. A atitude de isolamento, na avaliação do partido, atrapalha o ativo de 58 milhões de votos obtidos na eleição.