Curry vive seu melhor ano, mas Warriors correm risco de ficar fora dos playoffs da NBA

Vitor Seta
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Aos 33 anos, Stephen Curry já pode se considerar entre os maiores nomes da história da NBA. Dono de três títulos da liga, dois prêmios de MVP — um deles, unânime — e um dos principais propulsores de um movimento que valorizou ainda mais as cestas de três pontos no basquete americano, o armador não quer saber de diminuir o ritmo à medida em que entra na metade final da carreira. Curry faz, até o momento, a melhor temporada em números de sua carreira, mas esbarra num enfraquecido Golden State Warriors, que não consegue aproveitar seu auge produtivo.

A franquia, que empilhou recordes e um tricampeonato entre 2015 e 2018, segue uma curva inversa à de seu principal jogador. A derrocada começou após as finais de 2019, no vice-campeonato contra o Toronto Raptors, quando perdeu o ala-armador Klay Thompson, principal parceiro de Curry nos arremessos de três pontos. Thompson rompeu o ligamento anterior do joelho esquerdo e não atuou na temporada seguinte. Quando esperava retornar às quadras, em novembro de 2020, sofreu lesão no tendão de aquiles que o tirou também da temporada atual.

Além de Thompson, os Warriors perderam, ainda em 2019, Kevin Durant, MVP (melhor jogador) das finais de 2017 e 2018, que optou por assinar com o Brooklyn Nets. Andre Iguodala, MVP das finais em 2015 e reserva de confiança, também acabou negociado. Dos pilares daquela histórica equipe, restaram Curry e o ala-pivô Draymond Green.

De lá para cá, o armador viveu altos e baixos, mas nunca deixou de ser o rosto da franquia. Em outubro de 2019, quebrou a mão, passou por cirurgia e ficou cinco meses fora. Sem o camisa 30, nem mesmo a chegada de D’Angelo Russell salvou a equipe de amargar a última colocação na Conferência Oeste.

Na atual temporada, Curry comanda uma equipe que tem Andrew Wiggins,Kelly Oubre Jr. e o calouro James Wiseman (lesionado) como principais jogadores. O armador vem quebrando marcas individuais e cravando estatísticas assombrosas. Registra média de 31,3 pontos por partida, superior aos 30,1 pontos da temporada 2015-16, quando foi eleito MVP.

— Essa é mais uma grande temporada dele. Não diria a melhor só por conta dos números. Acho que ele está sendo sobrecarregado. Alguns números sobem, mas os erros aumentam — pondera Marcelinho Machado, comentarista do SporTV.

Na sua arma preferida, as bolas de três pontos, o camisa 30 tem a maior média de arremessos de sua carreira (12,2 por jogo), com 5,2 convertidos por partida, média de acerto de 42,6%. Segundo maior pontuador de três da história, atrás apenas de Ray Allen, Curry segue quebrando recordes.

No último dia 15, em partida contra o Oklahoma City Thunder, Curry chegou a 11 cestas de três pontos em um único jogo, número próximo ao recorde de 14, de Klay Thompson. Em busca de atingir a marca, ele chegou a tentar voltar para quadra e foi segurado pelo técnico Steve Kerr, em cena divertida.

— Disse a ele que o colocaria de volta no jogo e ele não entendeu que era uma piada. Queria voltar. É assim que ele é — explicou Kerr.

O treinador é um grande admirador do armador e já afirmou que Curry é merecedor de um novo prêmio de MVP. Líder em pontos marcados na temporada (1.751) e dono da maior média por partida, o jogador concorda, mas não acredita ter grandes chances.

— Eu tenho que ser (MVP). Tenho que ser. Provavelmente não vou ganhar, mas tanto faz — brincou Curry.

Tanta incerteza tem a ver com a campanha ruim dos Warriors. Apesar das grandes exibições do camisa 30, a equipe ganhou até agora apenas 32 das 64 partidas disputadas na temporada regular. Na nona colocação da Conferência Oeste a oito partidas do fim, a equipe de Kerr tenta se garantir entre os dez primeiros para ir, pelo menos, ao play-in — torneio mata-mata entre 7º e 10º que definirá os dois últimos classificados aos playoffs.

— É frustrante. Estou tentando dar o meu melhor, mas no fim, nós é que temos que encontrar a solução se queremos que essa temporada tenha algum significado — lamentou Curry, após derrota para o Minnesota Timberwolves, na quinta.

Para Marcelinho, as lesões e a irregularidade de jogadores como Wiggins e Oubre Jr. são fatores importantes, mas a ausência de Klay Thompson é preponderante para o baixo rendimento da equipe:

— Klay e Curry têm a facilidade de atrair a defesa sem a bola na mão, só com movimentação no fundo da quadra. Quando você só tem um dos dois, o time sente.