Curta documental usa realidade virtual para reconstituir a experiência da inauguração do Cine Metro Passeio em 1936

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A ideia é poder viajar no tempo e entrar num cinema de rua dos anos 1930. Um hall de entrada pomposo no estilo D. João V, com tapetes e lustres, uma bombonière, cadeiras estofadas, características que, na época, eram o símbolo do que havia de mais luxuoso. A era dos “palácios cinematográficos” foi marcada pela inauguração do Cine Metro Passeio, no Centro do Rio de Janeiro em 1936.

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Com a intenção de resgatar uma das salas mais icônicas da cidade, desativada em 1997, o diretor Eduardo Calvet produziu um documentário em realidade virtual no qual reconstrói em minuciosos 9 minutos a sessão de estreia do cinema. “Cine Metro: Experiência imersiva”, ele explica, é o primeiro filme documental do mundo sobre cinemas antigos produzido neste formato.

— Nos anos 1930, o cinema era um dos eventos culturais mais fortes, e o Cine Metro chega com um novo padrão. Foi o segundo do Rio de Janeiro a ter ar-condicionado. Ele vem como um impacto na sociedade. Desde os boatos da construção até a inauguração, a mídia fez uma cobertura muito forte, e até por isso quis restaurar esse e não outro. Para se ter noção, as pessoas iam passar a virada do ano lá: em 1937, 1938 e 1939 houve sessões de fim de ano — diz Eduardo Calvet.

Gerente da cinemateca do MAM, Hernani Heffner afirma que ir a uma sala de cinema entre os anos 1920 e 1950 era tão importante quanto ter um celular hoje — um acesso a notícias e entretenimento. Além, disso, dependendo do cinema, era um sinal de status:

— Ir ao Cinema era um lazer cotidiano, quase diário, e ao mesmo tempo um sinal de distinção, quase como ir à Ópera no século XIX. Os chamados palácios cinematográficos criaram essa aura de grande espetáculo, de espaço de luxo, de algo único.

A quantidade de cinemas de rua na cidade diminuiu consideravelmente, Na década de 1960, eram 198; e, em 2014, restavam 16. Também por isso, Eduardo Calvet reforça a importância do registro e a pesquisa para recriar esses espaços. Calvet usou trechos de jornais e revistas da época, além de fotos e relatos orais.

— A pesquisa levou mais ou menos um ano e meio, para conseguirmos não só fotos, mas todas as informações relevantes sobre os primeiros anos do Cine Metro e, depois, sobre os anos de fechamento — conta o diretor.

Desde abril, o filme participou de mostras em Portugal, Suíça, Alemanha, Inglaterra e Colômbia. Este mês, participará do BIAF, festival internacional de animação na Coreia do Sul, e de festivais na Rússia, na Hungria e em Porto Rico, fechando a agenda do ano numa volta à na Inglaterra, em novembro, no Aesthetica Short Film Festival 2021. No Brasil, a produção estará em breve disponível ao público, diz o diretor, em plataformas digitais como o YouTube e o Facebook.

Ambiente em 360°

A proposta de uma produção em realidade virtual é que o espectador “entre” no filme. Ele pode mover a cabeça e olhar para qualquer lado, ficando imerso 360° no ambiente. Além da visão, o áudio também acompanha os movimentos do observador. Para ter essa experiência, são necessários óculos de realidade virtual ou, numa opção menos imersiva, apenas um celular com um headphone.

— Existem diversos estudos que mostram que a realidade virtual faz com que o observador tenha uma forte sensação de presença em relação à experiência, porque o cérebro registra como se ele tivesse estado naquele lugar — diz Calvet.

O diretor diz que o filme, uma produção da Ideograph, não recebeu verbas de financiamento e avalia que o cenário de incentivo à animação no Brasil e, especialmente, no Rio de Janeiro praticamente parou desde 2016:

— Foi feito na paixão e como desenvolvimento de um projeto de mestrado. Entre 2008 e 2016, a Ancine tinha diversos programas de incentivo à animação brasileira e o gênero evoluiu muito durante esse tempo. A gente pode até falar que a indicação de “O menino e o mundo” para o Oscar [a animação brasileira concorreu em 2016 na categoria] foi feita em cima desses incentivos do governo.

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