CVM suspende IPO da Azul após imagens de road show vazarem na Internet

Por Aluísio Alves e Guillermo Parra-Bernal

Por Aluísio Alves e Guillermo Parra-Bernal

SÃO PAULO (Reuters) - A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) suspendeu nesta quinta-feira a oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) da companhia aérea Azul por até 30 dias, após constatar que materiais de apresentação da operação foram divulgados na Internet, o que é proibido.

A apresentação veiculada no website www.RetailRoadshow.com mostra o fundador e presidente do conselho de administração da Azul, David Neeleman, e o diretor financeiro da companhia, John Rodgerson, falando sobre números da companhia aérea e acompanhados por slides com gráficos da empresa.

No vídeo, de acesso público, há menção a projeções sobre valorização do investimento da Azul em ativos da companhia aérea portuguesa TAP, que não consta do prospecto da oferta, o que também viola regras da CVM para ofertas públicas de ações.

Por fim, a CVM mencionou a divulgação sucessiva de informações sigilosas de projeções de demanda e precificação das ações da oferta em matérias jornalísticas.

Segundo o órgão regulador, a suspensão pode ser revogada se as irregularidades apontadas no IPO da terceira maior companhia aérea do país forem devidamente corrigidas. O órgão não informou como as falhas poderão ser sanadas.

"Caso contrário, o pedido de registro da oferta será indeferido", afirmou a CVM no comunicado.

A decisão da CVM pode complicar a quarta tentativa da Azul de se listar em bolsa de valores. A última vez, em junho de 2015, foi abortada, assim como das primeiras vezes, pelo cenário adverso do mercado.

Desta vez, a operação poderia movimentar até 1,65 bilhão de reais considerando o teto da faixa indicativa de preço de 19 a 23 reais e o lote inicial de 72 milhões de papéis. Dependendo da demanda, mais ações poderiam ser ofertadas, o que levaria a operação a até 2,23 bilhões de reais.

Segundo três fontes com conhecimento do IPO, a demanda dos investidores estava crescendo no caminho da precificação, com investidores brasileiros demonstrando demanda 3,5 vezes maior que a oferta. Já a porção norte-americana da operação, que poderia representar dois terços do IPO, estava vendo demanda sete vezes maior que a oferta, disse uma das fontes.

Itaú BBA, Citi, Deutsche Bank, BB Banco de Investimento, Bradesco BBI, Santander Brasil e JPMorgan atuam como coordenadores da operação que, na oferta secundária tem entre os vendedores Saleb II Founder 13, Star Sabia, WP-New Air, Azul Holding, ZDBR, Bozano, Maracatu, Morris Azul, Trip e Rio Novo Locações.

Consultada, a Azul afirmou que não se manifestaria sobre o assunto.

Segundo informações do prospecto, a Azul teve prejuízo líquido de 126,3 milhões de reais em 2016 ante resultado negativo de 1,07 bilhão de reais em 2015. A receita subiu 6,6 por cento no período, a 6,67 bilhões de reais.

A Azul pretendia usar os recursos da oferta de ações para amortizar dívidas e reforçar capital de giro. A empresa terminou 2016 com 1,79 bilhões de reais em disponibilidade de caixa e dívida de 4 bilhões de reais.

Pelo prospecto, a Azul pretendia utilizar cerca de 315 milhões de reais a serem levantados na oferta para pagar dívidas que vencem entre abril e dezembro deste ano e que carregam um custo juros médio ponderado de 123 por cento da taxa de CDI.