Guerra às drogas e fim da PM: o que pensa Cyro Garcia para o Rio

Guerra às drogas: Garcia defende desmilitarização da PM e Polícia Civil única - Foto: REUTERS/Alexandre Loureiro
Guerra às drogas: Garcia defende desmilitarização da PM e Polícia Civil única - Foto: REUTERS/Alexandre Loureiro
  • Cyro Garcia critica guerra às drogas;

  • Candidato do PSTU acredita que combate atual prejudica trabalhadores não envolvidos com o crime;

  • Ele também defende que o tema é questão é de “saúde pública, não de segurança”.

Cyro Garcia, candidato ao governo do Rio pelo PSTU, se mostrou contrário à guerra às drogas e disse que o atual combate afeta "crianças, adolescentes e trabalhadores" não envolvidos com o tráfico. A entrevista ao jornalista Edimilson Ávila, do podcast Desenrola, Rio, foi concedida no final de agosto e divulgada na tarde desta quinta-feira (1º) pelo g1.

“Se guerra às drogas acabasse com as drogas, a gente já teria acabado há muito tempo”, criticou. “Essa guerra nada mais é do que uma política de criminalização da pobreza que promove um verdadeiro genocídio ao povo negro das favelas e periferias, em particular à juventude envolvida ou não com o tráfico”.

Garcia aproveitou para frisar que, na visão do partido, “droga é questão de saúde pública, não de segurança pública” e lamentou o atual posicionamento do adversário Marcelo Freixo (PSB) que, segundo ele, deixou de compartilhar da mesma visão para ganhar mais votos entre a parcela conservadora do eleitorado.

Questionado sobre as políticas de segurança pública para combater o tráfico, o candidato do PSTU chamou a atenção para um projeto que também visa tirar o poder das milícias e reduzir “crimes oriundos da crise social”, como roubo de celular e de carro, em suas palavras.

“[Queremos a] desmilitarização da PM. Ter só uma Polícia Civil, uma parte fardada voltada ao policiamento ostensivo e uma parte à paisana voltada para a questão da inteligência”, propôs. Garcia ainda prevê a eleição de delegados, de forma que “a polícia se imponha pelo respeito e não intimidação”.

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Em continuidade ao tema, o candidato garantiu que essa polícia única terá direito a sindicalização, greve e acesso a salários dignos “para inibir a corrupção”. Outra medida é a exclusão imediata do quadro da polícia de envolvidos em crimes de direitos humanos e corrupção.

Transportes

Durante a entrevista, Garcia apontou como solução para os problemas dos ônibus e trens a criação de uma empresa estadual de transportes coletivos. Ao ser confrontado de que isso já aconteceu no passado, defendeu de que a proposta obterá sucesso.

“Na época que era estatal, o transporte era muito mais eficiente. A decadência [do modelo] é porque foi sucateada, justamente para preparar o caminho para a privatização”, criticou, acrescentando que “empresários tentam abocanhar ainda mais setores que estão na mão do estado visando o lucro”.

Por fim, o candidato propôs uma mudar a principal malha do Rio de Janeiro de rodoviária para ferroviária, de forma que o metrô chegue a São Gonçalo, Itaboraí e outras regiões.