De Débora Bloch a Anitta, famosos reagem a declarações de Regina Duarte

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Anitta cobrou respostas de Regina Duarte após a entrevista da secretária da Cultura de Jair Bolsonaro na CNN Brasil. Em uma mensagem no Instagram de Regina, a cantora condenou a postura da ex-atriz, que tripudiou de mortes na ditadura, relativizou o impacto do coronavírus e minimizou seu papel ao mencionar mortes de artistas durante a pandemia.

"Se recusar a ouvir uma opinião contrária logo depois de enaltecer os tempos de ditadura me causa muito medo. Até porque eu e muitos dos meus amigos seríamos os primeiros censurados caso esse regime voltasse ao Brasil e nós continuássemos no exercício do nosso trabalho", escreveu Anitta em comentário no Instagram da secretária.

Em seguida, a cantora também fez perguntas sobre o que está sendo feito pela pasta da Cultura para proteger trabalhadores da área impactados pela pandemia da Covid-19.

"Por mais que a senhora não tenha medo do vírus, não deveria trabalhar também para os que têm e estão levando a situação a sério? Seu cargo só governa para quem pensa semelhante à senhora? E as famílias que perderam parentes com a doença? Como se sentiriam ouvindo um depoimento de quem faz pouco caso do momento? Onde está a empatia? Meu intuito aqui não é insultar e sim questionar", escreveu.

A atriz Alice Wegmann também aproveitou o Instagram da secretária para fazer um apelo a Regina. Para Wegmann, a scretária "vem provando ser o contrário do que um artista é".

"Vi que a senhora também me segue aqui e espero que essa mensagem chegue até aí. Não anule todo o seu talento, Regina. Tudo o que fez de bom pro nosso país tempos atrás vai ser esquecido por essas declarações que a sra está dando. É uma pena. Sinto uma tristeza imensa. Espero que, se ainda restar algo de bom dentro da sra, a sra ajude a classe que já pertenceu algum dia", escreveu a atriz, que também pediu ajuda aos trabalhadores impactados pelo coronavírus.

"E sabe que tem muitos artistas, técnicos que trabalham MUITO, SIM, e que nesse momento estão passando necessidade e, SIM, precisam de você. Você vem provando ser o contrário do que um artista é. Somos humanos, sensíveis, queremos criar, transformar, apontar a beleza do mundo, sonhar, agir e mudar. A senhora não tem feito nada. E quando faz, faz de forma extremamente deselegante e com má intenção. Eu sinto muito, odeio ter que dizer coisas ruins às pessoas. Mas são as verdades que me cabem. É pena ser tarde demais", completou.

Débora Bloch demonstrou tristeza na legenda de um post no Instagram em que compartilhou a entrevista.

"Você não tem humanidade Regina Duarte? Que vergonha, que horror, que triste...", escreveu a atriz. Nos comentários, a protagonista de "Segunda chamada" foi apoiada por Miguel Falabella, Mel Lisboa, Jennifer Dias, Fernanda Abreu, Martnália, Dira Paes, entre tantos outros.

O ator Guilherme Weber foi menos diplomático e questionou se Regina "era um adulto funcional".

"Sempre ouvi lhe chamarem de louca. Eu achava que era alguma classificação punitiva para uma atriz que eu acreditava libertária. Acho que eu confundia seu enorme talento com esta condição da chamada “loucura romântica e libertária dos artistas”. E segui admirando seu talento de atriz, a despeito da senhora ser uma ruralista furiosa, dos seus medos oportunistas. Mas a comprovação hoje do seu alinhamento integral com o governo Bolsonaro e o desprezo que a senhora demonstrou pela classe a que um dia pertenceu foi triste e profundo. Não aceito mais que a chame de louca. Pois como escrito em Hamlet, “Há método em sua loucura.”"

Várias outras personalidades usaram o espaço para condenar a postura da secretária, entre elas a modelo Léa T, o ator Diego Campagnolli e o ator e modelo Juliano Laham, que chegou a ser internado com Covid-19.

Vejo que a senhora me segue aqui no Instagram e gostaria de dizer algo como cidadã. Assisti sua entrevista na CNN e já vi em alguns lugares que nao foi combinado uma entrevista ao vivo etc e etc, mas, falando como artista que já passou por isso algumas vezes (se é que realmente foi isso), acho que haveria mil outras formas de se pronunciar sem ser grosseira com os demais. Uma pessoa que aceita assumir a secretaria de cultura está aceitando trabalhar para o povo, isso significaria escutar TAMBÉM os lados que pensam diferente da senhora e colocar sua posição sobre a questão. Se recusar a ouvir uma opinião contrária logo depois de enaltecer os tempos de ditadura me causa muito medo. Até porque eu e muitos dos meus amigos seríamos os primeiros censurados caso esse regime voltasse ao Brasil e nós continuássemos no exercício do nosso trabalho.

Gostaria de dizer que a cultura no Brasil vai muito além do ballet clássico, das orquestras sinfônicas e dos livros de poesia (que também são incríveis e tem seu imenso valor). Governar apenas para os que te causam afeição não é governar para o povo. Nao seria mais inteligente responder com calma e sabedoria o que tem sido feito pela classe cultural em virtude dos acontecimentos do covid 19? Aliás, o que tem sido feito? Todas as prefeituras do Brasil possuem verbas de entretenimento para o povo. Agora, que não estão sendo utilizadas, pra onde está indo esse dinheiro? A senhora não poderia tentar fazer com que ele estivesse indo para os trabalhadores da indústria que estão sofrendo com o momento? Por mais que a senhora não tenha medo do vírus, não deveria trabalhar também para os que têm e estão levando a situação a sério? Seu cargo só governa para quem pensa semelhante à senhora? E as famílias que perderam parentes com a doença? Como se sentiriam ouvindo um depoimento de quem faz pouco caso do momento? Onde está a empatia? Meu intuito aqui não é insultar e sim questionar.