'Dói na alma', diz amiga de enfermeira morta em acidente com ônibus

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SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - "Minha linda" era como a enfermeira Solange Santana Novaes, 47 anos, costumava chamar as amigas. Os elogios e lembranças nas redes sociais se misturam a relatos incrédulos: Solange é uma das seis pessoas que morreram num acidente com um ônibus na rodovia Oswaldo Cruz na manhã de ontem (13).

O coletivo fazia o percurso entre São Paulo e Paraty (RJ) quando tombou no km 75,8 da estrada, na altura de São Luiz do Paraitinga, por volta das 6h.

Cinco pessoas morreram no local, incluindo uma criança de oito anos, mas Solange foi levada ainda com vida para a Santa Casa de Ubatuba. Já na unidade de saúde, não resistiu e faleceu. O óbito foi notificado pelo hospital por volta das 13h.

Enfermeira na UBS Jardim Souza, na Zona Sul de São Paulo, Sol — como era conhecida — é mãe de dois filhos e foi descrita por amigos e colegas como uma pessoa carinhosa e gentil.

"Difícil aceitar sua partida, amiga. Só de imaginar voltar para o trabalho e não te ver mais, não receber seu 'bom dia, minha linda' dói na minha alma", escreveu Gleide Carvalho em uma postagem do Facebook. Diversas mensagens a elogiavam por ser uma pessoa "iluminada", um trocadilho com o apelido de Sol. "Ela fazia justiça ao nome. Um sol", escreveu Angela Chuves.

A morte de Solange também foi lamentada publicamente pelo Sindicomunitário-SP (Sindicato dos Agentes Comunitários de Saúde do Estado de São Paulo), que nas redes sociais utilizou a hashtag #SolangeNovaisPresente para homenageá-la.

Segundo a TV Globo, ela viajava para Paraty na companhia do namorado para aproveitar a praia durante o feriado de 15 de novembro, e deixou a capital paulista na madrugada de sexta para sábado.

O velório foi marcado para o início da tarde de domingo (14) no Cemitério Vale da Paz, em Diadema, no ABC.

Das seis vítimas, Solange e Ana Júlia, de 8 anos, foram as primeiras identificadas. Segundo a Polícia Civil, as outras quatro foram desfiguradas pelo acidente e precisam da identidade confirmada por meio de análise de DNA.

A companhia Andreatur, responsável pelo ônibus que levava os passageiros até a praia, disse que fará os traslados dos corpos, que estão no IML (Instituto Médico-Legal) de São Luiz do Paraitinga, município onde também foram concentradas as investigações sobre o acidente.

Veículo não tinha autorização para transporte interestadual de passageiros

Ao UOL, a ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) confirmou que o ônibus não tinha autorização para transporte interestadual de passageiros. Embora o veículo estivesse com a licença em dia na Artesp (Agência de Transporte do Estado de São Paulo) para circular nas estradas paulistas, o destino final da viagem era Paraty, no Rio de Janeiro.

"Apesar da empresa Andreatur ter comunicado uma viagem de São Paulo com destino a Ubatuba-SP, a mesma estava realizando viagem com destino final à cidade de Paraty -RJ, passando a ser de competência da ANTT a fiscalização quanto ao trajeto. Desta forma, o órgão prosseguirá tomando as medidas em relação à ocorrência", disse a Artesp em nota enviada ao UOL.

O acidente também ocorreu em uma área onde é proibido o tráfego de ônibus e caminhões. De acordo com a polícia, o condutor havia sido abordado por agentes na estrada, que o orientaram que não era possível circular naquela área. Ao retornar com o ônibus, o motorista tentou desviar de um carro que vinha na contramão e perdeu o controle, tombando o veículo.

Onze equipes do Corpo de Bombeiros, um helicóptero da Polícia Civil e outras ambulâncias do Samu estiveram no local até as 14h de ontem para socorrer as vítimas e destombar o ônibus. A rodovia teve os dois sentidos interditados durante todo o sábado.

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