Dólar à vista oscila e reduz alta com mercado se debruçando sobre mudanças ministeriais

José de Castro
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Notas de cem dólares

Por José de Castro

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar à vista fechou em alta, mas longe das máximas da sessão, e a cotação no mercado futuro chegou a cair no fim da tarde, conforme investidores avaliaram que as mudanças ministeriais no governo levadas a público nesta segunda-feira podem funcionar como um aceno ao centrão e aos comandos do Congresso, após o recente aumento de temperatura entre os dois Poderes e consequente preocupação com governabilidade.

O dólar futuro caía 0,15%, a 5,7505 reais, às 17h15. No mercado à vista, cujas negociações se encerraram às 17h, o dólar ainda subiu 0,49%, a 5,7681 reais, mas ficou longe da máxima intradiária, de 5,8075 reais.

O ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, pediu demissão nesta segunda-feira, informou a pasta em nota oficial. Pela manhã, duas fontes do governo disseram à Reuters que o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, pediu sua demissão do cargo ao presidente Bolsonaro.

Os comentários no mercado é que mais mudanças ministeriais estariam a caminho.

"O mercado piorou e voltou... Mas se for para abrir espaço para o centrão, está bom", disse um gestor, referindo-se a rumores de que o general Walter Braga Netto poderia ir para a pasta da Defesa, abrindo espaço na Casa Civil para Luiz Eduardo Ramos, atual ministro da Secretaria de Governo, enquanto esse cargo, que faz a articulação política, poderia ir para as mãos de um parlamentar do centrão.

A expectativa no mercado é que as mudanças melhorem a ponte com o Congresso. Ruídos recentes entre Executivo e alguns parlamentares trouxeram à tona novamente citações de impeachment, num momento em que a liderança da Câmara dos Deputados estaria irritada com a má repercussão em torno do texto do Orçamento enviado pelo governo e aprovado posteriormente pela Casa.

O desconforto nessa frente tem afetado os mercados desde a semana passada e seguiu no radar neste começo de semana.

"Resta saber qual será a reação de Bolsonaro (veto ou sanção da lei orçamentária) e até que ponto tais movimentos podem ocasionar fricções institucionais entre o governo e os parlamentares do Legislativo", disse Alejandro Ortiz Cruceno, analista da Guide.

Para o BNP Paribas, o dólar deve seguir pressionado no curto prazo.

"O fundamento do real é para apreciação, mas estamos pouco otimistas de que isso deve acontecer no curto prazo", afirmou Gustavo Arruda, chefe de pesquisa para América Latina do BNP Paribas, vendo o câmbio "esticado" (dólar excessivamente valorizado). "As notícias de pressão e flexibilização fiscal vão continuar aparecendo. Por isso não vemos a convergência do câmbio", disse.