Dólar cai 1,5% para R$ 5,48 com efeito dos juros no Brasil e nos EUA

JÚLIA MOURA
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***FOTO DE ARQUIVO***São Paulo, SP, Brasil, 06-12-2017: Cédulas de dólar. Papel Moeda. Dinheiro. (foto Gabriel Cabral/Folhapress)
***FOTO DE ARQUIVO***São Paulo, SP, Brasil, 06-12-2017: Cédulas de dólar. Papel Moeda. Dinheiro. (foto Gabriel Cabral/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O dólar fechou em queda de 1,47%, a R$ 5,4850, nesta sexta-feira (19). Este é a menor cotação do câmbio desde 24 de fevereiro, com um recuo de 1,35% na semana. Dentre todas as divisas globais, o real foi a que mais se valorizou na sessão.

Esta foi a quarta queda seguida da moeda americana ante o real sob efeito da alta de juros no Brasil e da queda nos juros dos títulos do Tesouro americano nesta semana. A moeda não caía por quatro sessões consecutivas desde as também quatro baixas entre 4 e 9 de novembro do ano passado.

Na quarta (17), o Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central elevou a taxa básica de juros (Selic) em 0,75 ponto percentual, a 2,75% ao ano e indicou ainda mais altas na taxa Selic. O juro estava em seu menor patamar desde agosto do ano passado, a 2% ao ano, como resposta à crise gerada pela pandemia de Covid-19.

Nos Estados Unidos, os juros foram mantidos entre 0 e 0,25% ao ano e o banco central local (Fed, o Federal Reserve) projeta uma retomada mais forte da economia, sem esboçar preocupção com a inflação. Além disso, o país avança na vacinação. Com o cenário favorável, os juros dos títulos do Tesouro americano cederam nesta semana.

A alta da Selic e queda dos juros nos EUA fazem o real se valorizar ante o dólar por meio do carry trade, prática de investimento em que o ganho está na diferença do câmbio e do juros. Nela, o investidor toma dinheiro a uma taxa de juros menor em um país, no caso, os EUA, para aplicá-lo em outro, com outra moeda, onde o juro é maior, como o Brasil.

Na Turquia, ocorreu movimento semelhante. O BC local promoveu um choque de juros com aumento de 200 pontos-base na taxa e a lira saltou 4,8% na semana.

"Se a intenção do Copom era tirar pressão do dólar, conseguiu. Assim como o banco central da Turquia, que subiu os juros e derrubou o câmbio. Em suma, o real ganha em uma semana de dólar forte pelo mundo", diz relatório do banco Fator.

Analistas, porém, não veem uma forte desvalorização do dólar no Brasil neste momento. João Leal, economista da gestora Rio Bravo, cita os reveses ao real vindos do lado fiscal, avaliando que esse elemento limita a queda do dólar abaixo de R$ 5,30 ou de R$ 5,35.

"Não deve haver grande melhora na situação fiscal do país até o fim do ano", disse Leal. "Em setembro, outubro, a discussão eleitoral vai estar bastante intensa. Isso vai contribuir para manter o câmbio (dólar) mais alto."

A moeda americana cai 2,12% em março, mas ainda sobe 5,63% em 2021. O dólar turismo está a R$ 5,663.

Já o Ibovespa fechou em alta de 1,21%, a 116.221,58 pontos, com valorização de 1,81% na semana, também beneficiado pela política monetária de estímulo nos EUA e queda nos juros do Tesouro americano.

Na sessão, pesou ainda a recuperação nos preços do petróleo. O barril de Brent (referência internacional do óleo) sobe 1,8% ao fim do pregão, cotado a US$ 64,43. Na véspera, caiu 6,9%.

A maior alta do Ibovespa na sessão foi do GPA, que saltou 13,2%, com a possibilidade de um desinvestimento da unidade de ecommerce Cnova, o que geraria liquidez ao grupo.

Em seguida, Sulamérica subiu 8,71%. A empresa registrou forte alta nos últimos três pregões com a alta da Selic, o que tende beneficiar reservas ou provisões técnicas -recursos que as seguradoras mantêm no balanço de modo a arcar com compromissos com segurados e que costumam estar em títulos públicos.

As ações do Banco do Brasil subiram 0,68%, a maior alta entre os grandes bancos no pregão. Segundo analistas, a saída do atual presidente do banco, André Brandão, já estava precificada.

Nos Estados Unidos, as ações do Facebook subiram 4,1% e impulsionaram os índices Nasdaq e S&P 500, depois de o presidente da companhia, Mark Zuckerberg, dizer que mudanças iminentes da política de privacidade da Apple sobre vendas de anúncios deixariam a rede social em uma "posição mais forte".

O índice Dow Jones caiu 0,71%, enquanto o S&P 500 perdeu 0,06%. O índice de tecnologia Nasdaq avançou 0,76%, a 13.215 pontos.