Dólar cai 2% com nova intervenção do Banco Central; Ibovespa sobe 1,95%

·5 minuto de leitura
***ARQUIVO****São Paulo, SP, Brasil, 24-01-2019: Cédulas de dólar. Papel Moeda. Dinheiro. (foto Gabriel Cabral/Folhapress)
***ARQUIVO****São Paulo, SP, Brasil, 24-01-2019: Cédulas de dólar. Papel Moeda. Dinheiro. (foto Gabriel Cabral/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O dólar emendou um segundo dia de forte queda ante o real nesta quinta-feira (11). A moeda caiu 2,03% no pregão, a R$ 5,54, menor valor desde 25 de fevereiro. O dólar turismo está a R$ 5,71.

Na véspera, a moeda recuou 2,36%, a R$ 5,6550. Em termos percentuais, foi a maior baixa diária desde 26 de janeiro (-2,82%).

Segundo analistas, o mercado repercutiu a expectativa da primeira alta na taxa básica de juros (Selic) em seis anos na reunião do Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) na semana que vem, o que pode atrair um fluxo de dólares para investimento no Brasil.

O BC também contribuiu ativamente para a desvalorização do dólar nos dois últimos pregões. Nesta quinta, vendeu todos os 20 mil contratos de swap ofertados, injetando US$ 1 bilhão no mercado.

Na quarta (10), o BC fez um leilão de dólar à vista de US$ 405 milhões, além de venda de swaps cambiais tradicionais, que resultou em injeção líquida de US$ 1 bilhão no mercado futuro.

De acordo com operadores no mercado de câmbio, o BC tem feito intervenções com o dólar já em queda por ser mais efetivo na desvalorização da moeda, pois gera um desconforto nos investidores comprados em dólar.

Além disso, há quem considere que a instituição estaria mais preocupada com o risco de repasse cambial aos preços da economia, num cenário em que as expectativas de inflação de algumas casas já superam o centro da meta para 2021 e começam a colocar em xeque o objetivo para 2022.

O IBGE divulgou hoje que o IPCA (inflação oficial do país) de fevereiro teve a maior alta para o mês em cinco anos e, em 12 meses, superou 5%.

Com a alta na inflação, o mercado espera uma Selic mais alta.

Fora o movimento técnico do câmbio, a aprovação do texto-base da PEC Emergencial na Câmara dos Deputados em segundo turno também contribuiu para um real mais forte.

No Twitter, o presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL), disse ser importante a conclusão da votação para a Casa avançar em outros assuntos e citou as reformas administrativa e tributária. "A expectativa é que o relatório da reforma tributária seja apresentado já na próxima semana", disse Lira, o que animou investidores.

O progresso na agenda fiscal do governo ameniza temores sobre a sustentabilidade da dívida pública, ajudando a reduzir o prêmio de risco embutido nos ativos brasileiros. O dólar chegou perto de R$ 5,80 nesta semana em boa parte por preocupações de desidratação adicional da PEC Emergencial, o que reduziria sua potência fiscal.

O mercado de câmbio também repercute a fraqueza do dólar no exterior, com a estabilização nos rendimentos dos títulos do Tesouro americano cuja recente escalada chacoalhou investidores por receios de retirada antecipada de apoio monetário por bancos centrais via elevação de juros.

Além disso, a queda da moeda americana reflete a aprovação na Câmara de Deputados dos Estados Unidos a uma das maiores medidas de estímulo econômico na história americana, o socorro de US$ 1,9 trilhão, sancionado nesta quinta pelo presidente Joe Biden.

Os índices S&P 500 e Dow Jones atingiram máximas recordes com a aprovação do pacote, além do arrefecimento de preocupações com inflação nos EUA e queda maior do que a esperada nos pedidos semanais de auxílio-desemprego.

Dow Jones subiu 0,58%, a 32.486 pontos, enquanto o S&P 500 ganhou 1,04%, a 3.939 pontos. O índice de tecnologia Nasdaq avançou 2,52%, a 13.399 pontos.

No Brasil, o Ibovespa fechou em alta de 1,96%, a 114.983,76 pontos, quase zerando as perdas do tombo de cerca de 4% da segunda com a decisão que permite que Luiz Inácio Lula da Silva se candidate nas próximas eleições.

Agora, na semana, o Ibovespa acumula agora variação negativa de apenas 0,19%, quase no mesmo patamar da última sexta.

"A situação da pandemia no Brasil é grave e triste, mas do ponto de vista de gestão de recursos há bastante eventos corroborando compras", afirmou Ricardo Campos, diretor de investimentos da Reach Capital.

Na véspera, o Ministério da Saúde divulgou mais de 2.000 novas mortes em razão do coronavírus no país. Em São Paulo, o governo anunciou restrições à circulação de pessoas entre 20h e 5h e fechará estabelecimentos comerciais como lojas de material de construção de 15 a 30 de março, além de suspender atividades como cultos religiosos e atividades esportivas coletivas, incluindo jogos de futebol.

Apesar da piora no cenário, as ações de shoppings tiveram forte alta na sessão. BRMalls se valorizou 7,09% antes divulgação do balanço previsto para a noite esta quinta, além da atenuada no movimento de alta dos juros longos no Brasil, que ajudou também outras empresas do setor. Multiplan subiu 7,10% e Iguatemi avançou 6,56%.

Também beneficiadas por perspectivas fiscais melhores, CCR avançou 8,1% e Ecorodovias disparou 8,64%. A Ecorodovias também teve de pano de fundo crescimento do tráfego nas suas principais rodovias no quarto trimestre, embora uma grande baixa contábil tenha determinado prejuízo no período.

A CSN saltou 9,17%, na esteira da recuperação dos preços do minério de ferro na China, após dados mostrarem que os embarques mensais do ingrediente siderúrgico de Port Hedland, na Austrália, para a China caíram para uma mínima de dois anos. Vale subiu 2,62%.

Já as ações preferenciais (mais negociadas) da Petrobras subiram 4,25%, com alta no preço do petróleo no exterior. O barril do Brent (referência internacional) fechou em alta de 2,55%, a US$ 69,63.