Dólar cai e Bolsa tem alta, com investidores à espera de votação da PEC dos precatórios

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RIO — O dólar opera com baixa ante o real enquanto a Bolsa sobe nesta terça-feira. O andamento da proposta de emenda à Constituição (PEC) dos precatórios na Câmara segue roubando as atenções do mercado. A previsão é que o texto seja votado, em segundo turno, ainda hoje.

Apesar da indefinição, a Bolsa buscava espaço para se valorizar apoiada pela queda nas taxas futuras de juros, que beneficiava empresas mais sensíveis às taxas, e pela divulgação de balanços do terceiro trimestre positivos.

Por volta de 12h20, a moeda americana era negociada com baixa de 1,10%, a R$ 5,4853. No mesmo horário, o Ibovespa subia 1,21%%, aos 106.055 pontos.

De olho nas votações

A previsão é que os destaques da PEC sejam votados nesta terça-feira, para, em seguida, ocorrer a votação no segundo turno da Câmara. O texto ainda precisará passar pelo Senado.

No entanto, não é apenas no Congresso que os investidores vão precisar ficar de olho.

Isso porque, a ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), Rosa Weber, mandou suspender "integral e imediatamente" a execução das chamadas "emendas de relator" no orçamento de 2021, usadas pelo governo para turbinar as emendas parlamentares de aliados no Congresso, o que ajuda na tramitação de pautas.

A determinação da ministra está sendo votada no Plenário virtual do STF. Até esta manhã, quatro dos os atuais dez ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) já votaram para suspender a execução das chamadas "emendas de relator".

Os ministros têm até às 23h59 de quarta-feira para registrar seus votos no sistema eletrônico da Corte.

Ainda sobre o tema dos precatórios, a ministra Rosa Weber negou pedido do PDT para suspender a tramitação da PEC. A ação questionava o fato do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), ter autorizado o voto de deputados que estavam em missão oficial no exterior para conseguir aprovar o texto.

Mesmo com a votação ainda em andamento no Tribunal, Lira quer liquidar ainda nesta terça-feira a votação sobre os precatórios.

A proposta é fundamental para o governo, pois abre espaço no Orçamento de 2022 para o pagamento do Auxílio Brasil, além de prever a revisão das regras do teto de gastos.

Pelo lado do mercado, a PEC funciona como um mal menor, pois, caso o texto não seja aprovado, há o temor que o governo adote medidas ainda mais prejudiciais aos cofres públicos para pagar o benefício social.

“Esperamos uma abertura com viés neutro/negativo para ativos de risco brasileiros, que deverão ficar condicionados ao andar da PEC dos Precatórios na Câmara ao longo do dia”, destacaram analistas da Guide Investimentos, em nota matinal.

Ações

Entre as ações, as ordinárias da Petrobras (PETR3, com direito a voto) subiam 0,96%% e as preferenciais (PETR4, sem direito a voto), 1,53%.

As ordinárias da Vale (VALE3) cediam 2,50% e as da Siderúrgica Nacional (CSNA3), 0,28%.

As preferenciais da Usiminas (USIM5) subiam 1,35%.

No setor financeiro, as preferenciais do Itaú (ITUB4) caíam 0,13% e as do Bradecso (BBDC4) subiam 0,20%.

Nas maiores altas, destaque para empresas do setor de varejo. As ordinárias do Magazine Luíza (MGLU3) avançavam 9,56% e as da Via (VIIA3), 6,23%.

Os papéis PN das Lojas Americanas (LAME4) avançavam 6,72% e os ON (AMER3), 7,28%.

Petz sobe com balanço e novas lojas

As ordinárias da Petz (PETZ3) tinham alta de 7,93%. Em balanço, a empresa registrou lucro líquido de R$ 26,6 milhões no terceiro trimestre, alta de 56,1% na comparação anual.

O Ebitda, lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, ajustado foi de R$ 67,156 milhões, alta de 43,4%, com margem de 10,5% (+0,1 ponto porcentual).

A empresa ainda divulgou que pretende abrir 50 lojas em 2022, acelerando seu processo de expansão após a “consistência dos retornos obtidos nas lojas das mais diversas cidades e regiões do país”.

Para a Ativa Investimentos, o balanço divulgado foi robusto, apesar da margem bruta da companhia ter ficado abaixo das estimativas da corretora.

“Os grandes destaques foram a contínua expansão do digital - que atingiu participação de 31% no faturamento - e a força do segmento de produtos. [...] Os resultados do 3T21 corroboraram com nossa tese de investimentos para a companhia, principalmente no que tange à forte capacidade de expansão digital existente no segmento Pet e na força do segmento de produtos. escreveu o analista Pedro Serra, em relatório.

A corretora manteve a recomendação de compra e o preço-alvo da ação em R$ 32,90 por ação, com um potencial de valorização de 68%.

BB avança, após lucro de R$ 5,1 bi

Quem também subia eram os papéis ON do Banco do Brasil (BBAS3), com alta de 1,36%. Em seu balanço do terceiro trimestre, a instituição registrou lucro líquido ajustado de R$ 5,139 bilhões, alta de 47,6% na comparação com o mesmo período do ano passado.

O lucro contábil alcançou o patamar de R$ 4,609 bilhões, alta de 49,4% em 12 meses.

A inadimplência ficou em 1,82% no terceiro trimestre, ante os 2,43% resgistrados em igual período de 2020.

Para os analistas da XP Investimentos, os resultados apresentados pelo BB foram positivos, impulsionados principalmente por uma maior margem financeira devido ao crescimento de sua carteira de crédito. Ao mesmo tempo em que as despesas permaneceram estáveis apesar do aumento da massa salarial e da expansão da carteira.

“Apesar de já esperar um ano forte e lucrativo, o Banco do Brasil melhorou suas expectativas de resultado para 2021, com previsão de crescimento da carteira passando de 8-12% para 14-16%, o que suporta uma margem financeira mais alta e, portanto, também o lucro Llquido”, escreveram os analistas Vitor Pini, Matheus Odaguil e Artur Alves.

Além disso, eles destacaram que o BB espera continuar apresentando forte crescimento de sua carteira rural ao longo do ano, o que corrobora a visão da XP “de uma carteira mais protegida em relação os outros bancos”.

A XP reitera a recomendação de compra e preço alvo de R$52,0 por ação.

Tesla tem nova queda

As bolsas americanas operavam com baixas. Por volta de 12h20, no horário de Brasília, o índice Dow Jones cedia 0,51% e o S&p, 0,48%. A Bolsa de Nasdaq cedia 0,54%.

O destaque negativo é o desempenho negativo das ações da Tesla. Os papéis da fabricante de veículos elétricos, negociados em Nasdaq, caíam 7%.

Na véspera, os ativos já haviam caído depois que internautas disseram 'sim' à enquete feita por Elon Musk no Twitter no fim de semana sobre a venda de 10% de sua participação na fabricante de carros elétricos.

Ainda nos EUA, o relatório de estabilidade do Federal Reserve, Banco Central americano, divulgado na segunda-feira, alertou que a fragilidade vista no setor imobiliário chinês pode se espalhar pelos Estados Unidos.

O relatório afirma que "tensões na China podem prejudicar os mercados financeiros globais por meio de uma deterioração do sentimento de risco, representar riscos para o crescimento econômico global e afetar os Estados Unidos".

Na Europa, as bolsas operam com sinais contrários. Também por volta de 12h20, em Brasília, a Bolsa de Londres cedia 0,35%. As bolsas de Frankfurt e Paris estavam estáveis.

As bolsas asiáticas fecharam com direções contrárias. O índice Nikkei, da Bolsa de Tóquio, caiu 0,75%. Em Hong Kong e na China, as altas foram de 0,20% e 0,24%, respectivamente.

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