Dólar chega aos R$ 5,90, nova máxima histórica, com mercado atento à crise política

Gabriel Martins
Crise cambial

O cenário doméstico segue impedindo que o dólar tenha um período mais longo de desvalorização contra o real. Após a abertura em queda, às 10h55 a moeda americana subia 0,5%, a R$ 5,898. Na máxima, foi a R$ 5,907, maior valor de cotação intradiária. Os analistas destacam que o agravamento dos atritos políticos, com os rumores sobre a reunião ministerial de 22 de abril, fazem com que a cotação do dólar fique em patamares elevados. Na Bolsa, o Ibovespa (índice de referência da B3) sobe 0,2%, aos 78.043 pontos.

De acordo com relatos obtidos pelo GLOBO de fontes que assistiram ao vídeo do encontro entre presidente e ministros, Jair Bolsonaro teria defendido trocas de comando na Polícia Federal no Rio para evitar que familiares e amigos fossem prejudicados por investigações em curso.

— A incerteza política no Brasil está no radar do mercado desde antes da pandemia. Este clima de apreensão faz com que notícias ainda nem confirmadas ganhem mais repercussão e acabam influenciando no comportamento do mercado. Ainda não há divulgação de trechos do vídeo, mas os rumores sobre a reunião têm pressionado o câmbio — indica Fabrizio Velloni, chefe da mesa de câmbio da Frente Corretora.

Victor Beyruti, economista da Guide Investimentos, também destaca que a cena política doméstica incerta contribui para que o dólar siga fortalecido contra o real:

— O presidente disse que vetará o trecho que flexibiliza o congelamento de salários para algumas categorias dos servidores públicos. Porém, se o Congresso barrar o veto, ou houver divulgação do vídeo da reunião, o dólar tende a ganhar mais força.

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Os investidores também seguem atentos à agenda externa. Na manha desta quarta, o presidente do Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos EUA) Jerome Powell descartou a adoção de juros negativos na economia americana. Powell destacou, entretanto, que o Fed continuará usando de seu "arsenal" para combater os impactos da pandemia nos EUA. Ele também pediu mais estímulos fiscais