Dólar chega a bater os R$ 5,45, com exterior negativo e riscos locais; Ibovespa cai

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RIO — O dólar operava com forte alta ante o real no início desta quinta-feira. O movimento, também visto no exterior, ocorre após a ata do Federal Reserve, Banco Central americano, sugerir a possibilidade da retirada de estímulos monetários ainda este ano. O fator externo negativo é potencializado pelo cenário interno conturbado, com os riscos ficais e políticos que pesam sobre os negócios locais há vários pregões.

Por volta de 10h30, a moeda americana era negociada a R$ 5,4294, alta de 1,01%, após atingir a máxima de R$ 5,4555, maior nível desde 4 de maio.

No mesmo horário, o Ibovespa cedia 1,09%, aos 115.371 pontos, com poucos papéis operando no campo positivo.

Além das questões monetárias, o receio da disseminação da variante Delta pelo mundo e as quedas registradas em commodities importantes como o petróleo e o minério de ferro podem contribuir para um desempenho negativo do mercado local.

Retirada prevista

A ata, divulgada na quarta-feira, não especificou uma data para o início da retirada de estímulos, mas indicou um consenso mais forte entre os dirigentes de que a redução na compra de ativos, o chamado "tapering", comece até o fim deste ano e que o anúncio já seja realizado na reunião de setembro.

Apesar disso, ainda não há sinalização de quando o Fed poderá recomendar o fim da política de juros próxima a zero no país.

Após o início da pandemia, o banco injetou dólares na economia como forma de dirimir os prejuízos na atividade econômica por meio da compra de ativos. Além disso, houve a manutenção dos juros em patamar baixo.

Os dois fatores contribuíram para aumentar a liquidez nas economias globais, sendo que boa parte desse dinheiro veio parar nas bolsas.

Dessa forma, a possibilidade de que esses estímulos sejam retirados assustam os mercados e prejudicam países emergentes, como o brasileiro, que por terem juros mais altos acabam atraindo mais investidores em busca de rendimentos maiores.

Os investidores seguirão observando as sinalizações públicas de dirigentes do Fed em busca de novas sinalizações sobre o tema.

Há a expectativa de que o presidente da autoridade monetária, Jerome Powell, dê algum direcionamento em relação aos juros durante a conferência de Jackson Hole, em Wyoming, que ocorre na próxima semana.

“Apesar de esperarmos uma maior acomodação do movimento de perdas com os atuais níveis de preços praticados na bolsa local – e dado o dia extremamente negativo que temos lá fora –, não acreditamos que hoje será o dia em que veremos o início de alguma recuperação”, escreveram analistas da Guide Investimentos, em nota matinal.

Petrobras e Vale caem

Entre as ações, as ordinárias da Petrobras (PETR3, com direito a voto) cediam 1,35% e as preferenciais (PETR4, sem direito a voto), 1,42%.

As ordinárias da Vale (VALE3) e as da Siderúrgica Nacional (CSNA3) tinham quedas de 3,93% e 4,69%, respectivamente.

As preferenciais da Usiminas (USIM5) caíam 4,09%.

No setor financeiro, as preferenciais do Itaú (ITUB4) e do Bradesco (BBDC4) tinham perdas de 0,33% e 0,53%, respectivamente.

Petróleo em queda

Os contratos do petróleo futuro também sentiam os efeitos negativos da indicação mais forte do Fed sobre a retirada de estímulos, além dos receios sobre a disseminação da variante Delta.

Por volta de 10h35, o contrato do petróleo tipo Brent para outubro cedia 2,96%, negociado a US$ 66,21, o barril. Já o contrato do tipo WTI para setembro cedia 3,33%, cotado a US$ 63,28, o barril.

Bolsas no exterior

Na Europa, as bolsas operavam com quedas. Por volta de 10h30, no horário de Brasília, a Bolsa de Londres cedia 1,67%. Em Frankfurt, havia queda de 1,70% e, em Paris, de 2,35%.

As bolsas asiáticas fecharam em queda. O índice Nikkei, da Bolsa de Tóquio, cedeu 1,10%. Em Hong Kong e na China, ocorreram quedas de 2,13% e 0,57%, respectivamente.

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