Dólar dispara no Chile, e Boric promete gestão responsável

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***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 24.01.2019 - Still de mão segurando cédulas de dólar, moeda oficial americana. (Foto: Gabriel Cabral/Folhapress)
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 24.01.2019 - Still de mão segurando cédulas de dólar, moeda oficial americana. (Foto: Gabriel Cabral/Folhapress)

SANTIAGO, CHILE (FOLHAPRESS) - O presidente eleito do Chile, Gabriel Boric, afirmou nesta segunda-feira (20) que se preocupa com a reação dos mercados, que registraram um dia negativo após a vitória do candidato esquerdista, mas que não pode ceder a "pressões extrademocráticas". "As decisões do povo do Chile não deveriam estar sujeitas a pressões que vão por vias distintas das democráticas, mas também temos clara a importância do trabalho das qualificadoras de risco. Nós teremos um compromisso firme com a convergência fiscal", disse.

A cotação do dólar alcançou nesta segunda-feira (20) 876 pesos chilenos (R$ 5,78), valor mais alto desde março de 2018, quando os efeitos da pandemia começaram a ser sentidos na economia. No fechamento do mercado, o aumento foi de 3,42% em relação à sexta-feira passada, o maior salto em um dia desde novembro de 2008, durante a crise financeira internacional. O índice IPSA, o principal da Bolsa de Valores de Santiago, teve queda de quase 8%.

"O Chile deve ter contas claras e macroeconomia organizada, porque se não for assim, as reformas acabam retrocedendo. Gastos permanentes devem ter ingresso permanente, vamos avançar em reformas estruturais, mas passo a passo, para que não escorreguemos", afirmou, na porta do palácio de La Moneda, após reunir-se com o presidente Sebastián Piñera.

Apesar de indagado por jornalistas sobre quem será seu ministro de economia e se o seu anúncio de modo rápido não ajudaria a acalmar os mercados, Boric voltou a dizer que não atuaria sob pressão. "No mandato anterior, o presidente Piñera só anunciou seus ministros em 22 de janeiro. Não penso demorar todo esse tempo, mas tampouco farei isso às pressas e sob pressão". A posse de Boric ocorre em 11 de março de 2022.

O esquerdista foi eleito presidente do Chile no domingo (19) ao derrotar o ultradireitista José Antonio Kast. Reunindo o apoio de 4,6 milhões de eleitores (55,8% contra 44,1%), o nome da Frente Ampla se tornou o candidato mais votado da história chilena.

Boric chegou à sede de governo pouco antes do horário marcado para o encontro, às 14h. Havia uma pequena multidão de apoiadores. Ao descer do carro, o mandatário eleito cumprimentou os apoiadores e tirou algumas selfies. Sorria, mas dava sinais de cansaço.

Antes da reunião privada, ambos posaram para fotos, e Piñera realizou um pequeno tour, mostrando ao recém-eleito quadros históricos e a escrivaninha do Salão de Audiências Presidenciais. "Bem-vindo ao La Moneda. Espero que tenha uma boa gestão de governo, porque o Chile precisa disso e sei que você o fará do melhor modo possível", disse Piñera. Boric respondeu que "se trata de uma responsabilidade enorme" e que "espera estar à altura".

Os dois apertaram as mãos. Até aí, usavam máscaras todo o tempo. Até que Piñera o orientou a dar dois passos para tirar uma outra foto, desta vez sem a máscara. "A pandemia foi um dos temas que mais nos ocuparam e conversamos sobre a necessidade de seguir com atenção o que está ocorrendo em outras partes do mundo, em que há um aumento de contaminações".

Questionado se manteria no cargo os funcionários técnicos que trabalharam no enfrentamento do coronavírus, Boric afirmou que "não se devem mudar as coisas que estão feitas de modo positivo". O Chile é o país mais bem colocado no ranking de vacinação da região, com 85,8% da população imunizada com as duas doses, e 51,6% com a terceira dose.

"Temos de nos preparar para avançar com a campanha de vacinação no ano que vem, com as quartas doses e a imunização de crianças", afirmou Boric.

O presidente eleito estava acompanhado de Izkia Siches, sua chefe de campanha e ex-presidente do Colégio Médico do Chile, e pelo deputado Giorgio Jackson, seu colega de geração. Ambos são cotados para assumir ministérios no governo de Boric.

Indagado sobre a participação das mulheres em seu gabinete, o presidente eleito afirmou que "elas serão protagonistas". Disse, porém que não serão observadas cotas de modo específico. "Vamos incorporar as melhores, as mais capacitadas e haverá independentes. Estamos falando com partidos políticos e com distintos setores da sociedade. Também quero contar com gente de regiões que entendam a diversidade e a heterogeneidade de nosso país".

Sobre a reforma da Previdência, uma das bandeiras de sua campanha, afirmou que irá trabalhar "para que trabalhadores e trabalhadoras nunca mais tenham de recorrer a suas poupanças pessoais em crises tão profundas como foi a pandemia". "É necessária uma reforma estrutural em matéria de pensões e aposentadorias. Nossa prioridade não é esvaziá-las, mas sim fortalecê-las", afirmou, referindo-se aos saques dos fundos de pensões privados autorizados pelo Congresso chileno no último ano.

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