Dólar quebra série de baixas semanais com exterior cauteloso e ruídos domésticos

José de Castro
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Reais e dólares

Por José de Castro

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar fechou com alta discreta nesta sexta-feira, ao fim de um dia de bastante oscilação, com investidores evitando vender a moeda numa sessão de menor apetite por risco no exterior e de maiores tensões políticas no Brasil.

O dólar à vista subiu 0,12% nesta sexta, a 5,0845 reais, após variar entre 5,1185 reais (+0,79%) e 5,0739 reais (-0,08%).

O dia foi marcado por força da moeda norte-americana no exterior, em sessão mais fraca para ativos de risco, como moedas emergentes e ações.

O índice do dólar subia 0,2% no fim da tarde, afastando-se de mínimas em dois anos e meio atingidas na véspera. Em Wall Street, o S&P 500 perdia 0,8%. Os mercados mostram ceticismo sobre negociações acerca de mais estímulos nos EUA, num momento em que o país bate recordes diários de novos casos de Covid-19.

No Brasil, ruídos entre o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e o presidente Jair Bolsonaro voltaram a atrair atenção de investidores. Maia chamou Bolsonaro de mentiroso e o acusou de fazer articulação para desmoralizar seus adversários, depois de, na véspera, o chefe do Executivo dizer que deveriam cobrar o fim do 13º salário do programa Bolsa Família do presidente da Câmara.

O receio dos agentes financeiros é que tensões com o Legislativo possam atrapalhar o andamento da agenda de reformas.

Nesta sexta, o Banco Central fez leilão de até 2 bilhões de dólares em linhas de moeda estrangeira com compromisso de recompra e ofertou ainda 800 milhões de dólares em contratos de swap cambial.

"Corroborando com as falas do presidente da instituição, Roberto Campos Neto, a ação mostra que o BC de fato segue em cima do mercado, acompanhando e atuando prontamente para corrigir quaisquer disfuncionalidades no câmbio", disse Victor Beyruti, economista da Guide Investimentos.

Na semana, a cotação teve alta de 0,73%, depois de quatro semanas consecutivas de perdas. Em dezembro, a moeda ainda cai 4,90%.

Apesar dessa valorização recente, Robin Brooks, economista-chefe do Instituto de Finanças Internacionais (IIF, na sigla em inglês), ainda vê espaço para ganhos adicionais da moeda brasileira.

"Nosso valor justo para o real segue em 4,50 por dólar, então há muito espaço para fechar o maior gap de desvalorização no mundo emergente, que reflete a incrivelmente forte posição do balanço de pagamentos do Brasil", disse.

Veja gráfico do IIF sobre fluxos do balanço de pagamentos do Brasil desde 2014:

O superávit em transações correntes do Brasil foi de 202 milhões de dólares em novembro, com o déficit em 12 meses passando a 0,82% do Produto Interno Bruto (PIB). Os investimentos diretos no país (IDP) alcançaram 1,514 bilhão de dólares, ante expectativa no mercado de 1,35 bilhão de dólares.

Em 2020, o dólar ainda sobe 26,70%.