Dólar fecha longe de mínimas do dia em meio a ruído político

Por José de Castro
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Por José de Castro

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar fechou em baixa ante o real nesta segunda-feira, mas a uma boa distância das mínimas do dia, em meio a notícias de que o presidente Jair Bolsonaro teria decidido demitir o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, elevando incertezas sobre como o país trataria a crise de saúde e, por conseguinte, sobre as consequências econômicas da pandemia.

No fim da tarde, novas informações indicaram que o presidente havia desistido de demitir Mandetta. Mas a percepção é que o ruído político se instalou e poderia reforçar um já elevado nível de incerteza na saúde e na economia.

Também nesta segunda, Bolsonaro convocou reunião ministerial, incluindo também presidentes de bancos, para o mesmo horário em que costuma ocorrer a entrevista coletiva sobre a atualização dos dados da epidemia de coronavírus no país com a presença de vários ministros. A convocação para a reunião foi feita repentinamente no final da manhã desta segunda-feira.

O noticiário afetou os mercados no Brasil. Além do dólar, o Ibovespa perdeu 2 mil pontos entre em torno de 15h30 e 16h20, quando o mercado reagiu mais visivelmente ao noticiário político. O DI janeiro 2025 --sensível à percepção de risco político-- saltou de 6,96% para quase 7,20% em menos de 15 minutos depois das 15h30.

"O fato é que perdemos 5% (no Ibovespa) em dólar na última hora...", disse Ivan Kraiser, sócio e fundador da Garín Investimentos.

O dólar à vista fechou em queda de 0,64%, a 5,2918 reais na venda. Na mínima do dia, a cotação desceu a 5,2247 reais, baixa de 1,90%. O dólar terminou mais próximo da máxima do dia, de 5,3123 reais (-0,26%).

O real ficou bem atrás de seus pares. O dólar caía 2% contra o rand sul-africano, 1,3% frente ao peso mexicano e 1,5% ante o dólar australiano.

Apesar do tombo de mais de 20% do real ante o dólar no primeiro trimestre, as incertezas gerais têm depreciado a taxa de câmbio real de equilíbrio.

Com isso, Robin Brooks, economista-chefe do Instituto de Finanças Internacionais (IIF, na sigla em inglês), calcula que o excesso de desvalorização do real esteja "apenas" em 10%, citando deterioração na conta corrente de países emergentes em geral.