Dólar fecha a R$ 5,09, com ação coordenada de BCs; Bolsa sobe 2,15%

Gabriel Martins e Gabriel Shinohara
Com ação de bancos centrais, moeda americana caiu 1,88%

RIO e BRASÍLIA — O dólar comercial se afastou da faixa dos R$ 5,20 após o anúncio de uma ação coordenada entre os Bancos Centrais do Brasil, dos EUA e de outros sete países que pode injetar até US$ 60 bilhões na economia brasileira. Assim, a moeda americana caiu 1,88%, aos R$ 5,097. Os leilões do BC também ajudaram nesta queda. Na Bolsa, o Ibovespa (referência da B3) subiu 2,15%, aos 68.331 pontos, em linha com as tentativas de recuperação no mercado internacional.

— A ação coordenada das autoridades monetárias leva um alívio momentâneo para o mercado. A ação conjunta é bastante importante neste momento para mostrar um trabalho que visa minimizar os danos na economia. Mas é preciso lembrar que não é possível, dada a atual situação, buscar uma solução a longo prazo — avalia Pablo Spyer, diretor da Mirae Asset.

Em Wall Street, os índices fecharam em alta, com os investidores avaliando a ação dos Bancos Centrais. O S&P, que na véspera chegou a passar por um circuit breaker, subiu 0,47% nesta sessão, ao passo que o Dow Jones teve valorização de 0,95%. A Bolsa eletrônica Nasdaq registrou ganhos de 2,3%.

Na Europa, também houve uma tentativa de recuperação das fortes perdas recentes. O FTSE 100 (Londres) e FTSE MIB (Milão) subiram, respectivamente, 1,4% e 2,29%. Na França (CAC) e na Espanha (Ibex 35), países que decretaram quarentenas mais restritivas à população, as altas foram de 2,68% e 1,93%.

Na Alemanha, após operar em queda durante toda a manhã, o DAX subiu 2%. Em um raro pronunciamento na televisão, a premiê alemã Angela Merkel disse que o coronavírus é o maior desafio para o país desde a reunificação.

Internamente, além do temor causado pela rápida disseminação do novo coronavírus, os investidores também avaliam o corte em 0,5 ponto percentual na taxa Selic.

— Os investidores estão avaliando a decisão tímida do Copom de cortar a taxa Selic em 0,5 ponto percentual, para 3,75%, quando a expectativa era de corte maior. O comunicado pareceu meio deslocado da situação atual, mas a Selic mantém viés de queda — avaliou Álvaro bandeira, economista-chefe do banco digital Modalmais.

Thiago Salomão, analista de ações da Rico Investimentos, avalia que o cenário de incertezas ainda vai persistir em todos os mercados:

— O cenário internacional segue impactando o mercado, por conta dos temores dos avanços do coronavírus pelo mundo. Vários bancos já revisaram suas projeções para PIB global, indicando retração na atividade para 2020 e aqui no Brasil começam as adoções das ações emergenciais como fechamento de lojas e shoppings. Muitas incertezas no ar e a volatilidade deve permanecer por mais um tempo.

No Ibovespa, as aéreas ensaiaram uma recuperação. A Azul teve ganhos de 18,96%. A Gol subiu 11,61%, mas logo após o fechamento dos negócios anunciou que reduzirá jornadas e salários de colaboradores. No caso de aeroviários, o corte pode chegar a até 35%. Para executivos, 40%.

A operadora de turismo subiu 14,79%. Quem ainda não se recuperou foi a empresa de milhagem Smiles, que foi quem teve o maior percentual de queda nesta sessão: 12,43%.

Os papéis ordinários (ON, com direito a voto) e preferenciais (PN, sem direito a voto) da Petrobras subiram, respectivamente, 12,67% e 8,15%. Contribuiu para este cenário a valorização de 13,59% na cotação do barril de petróleo tipo Brent, que era negociado a US$ 28,28 no fechamento do mercado brasileiro.

O Banco Central (BC) vendeu US$ 2,25 bilhões na manhã desta quinta. A autoridade monetária fez um leilão de linha (quando há compromisso de recompra) de US$ 2 bilhões. Depois, realizou outro leilão, mas de dólar à vista, no valor de US$ 500 milhões. Desta operação, apenas US$ 250 milhões foram aceitos pelo mercado. No meio da tarde, o BC realizou outro leilão à vista em que vendeu mais US$ 385 milhões.

Somente nesta quinta, foram vendidos US$ 2,635 bilhões. Na véspera, o BC já tinha vendido US$ 2,8 bilhões entre leilões à vista e em linha.

Também na quarta, em uma ação pouco usual, o BC utilizou um novo instrumento para estabilizar o mercado, conhecido como repo. Nessa atuação, o BC compra compra bônus da dívida brasileira denominados em dólar com o compromisso de revenda em 30 dias. O objetivo foi amenizar a instabilidade que persiste nos mercados.

Na Europa, o Banco Central Europeu (BCE) anunciou um programa de compras emergenciais de 750 bilhões de euros para reduzir os custos de empréstimos. O esquema também incluirá dívidas da Grécia, que até estavam excluídas das compras de títulos pelo BCE devido à sua baixa classificação de crédito.

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