Dólar inicia maio em leve queda por exterior, mas com radar em Brasília

José de Castro
Funcionário do banco Korea Exchange conta cédulas de cem dólares na sede da instituição em Seul

Por José de Castro

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar começou maio em queda ante o real, com o ambiente externo benigno estimulando investidores a devolver uma fração da forte alta da sessão anterior.

O dólar à vista caiu 0,24%, a 5,4182 reais. Na sexta, a cotação havia saltado 1,81%.

O noticiário doméstico foi leve, o que direcionou as atenções para o movimento externo. Lá fora, o índice da moeda norte-americana cedia 0,31%, com a divisa em baixa frente aos pares mais próximos do real.

Wall Street fechou em alta, com as ações globais ainda próximas de recordes históricos, enquanto o petróleo também avançou --combinação que indica perspectiva de rápido crescimento econômico mundial, o que tende a beneficiar ativos de risco como moedas emergentes, grupo do qual o real faz parte.

"E vejo espaço para o dólar cair mais", disse Rafael Fernandes, sócio da RIVA Investimentos, que destaca um ambiente melhor para discussão sobre reformas em meio à aceleração da vacinação.

Fernandes disse que por ora tem evitado recomendação de ativos dolarizados justamente pela perspectiva de mais alívio na taxa de câmbio, com chances de a moeda se estabilizar em torno de 5,20 reais, 5,30 reais. "Perto de 5,10 reais não planejo ficar vendido", ressalvou.

"Ainda pode haver alguns ruído por causa da CPI (da Covid) neste mês, mas dadas as atuais condições o dólar teria mais espaço para cair", completou.

Em meio a reveses ao governo na CPI, o Executivo tem tentado gerar fatos positivos no âmbito das reformas econômicas. O relatório da reforma tributária será lido na terça-feira em reunião da comissão mista do Congresso que discute o tema, informou a assessoria do relator do texto, deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), nesta segunda-feira.

Na semana passada, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), havia anunciado que receberia o relatório final da reforma tributária nesta segunda, reiterando que sua aprovação é prioridade.