Dólar mantém alta e vai a R$ 4,33; Bolsa sustenta os 115 mil pontos

Gabriel Martins

RIO — Pela terceira vez na semana, o dólar comercial opera em alta frente ao real. A moeda americana é negociada com valorização de 0,1%, valendo R$ 4,331. Na Bolsa, o Ibovespa (índice de referência da B3) sobe 0,52%, aos 115.974 pontos. Os analistas apontam que os juros (Selic) na mínima histórica e resultados mais fracos do varejo em dezembro são os responsáveis pela pressão no câmbio.

De acordo com o IBGE, em dezembro do ano passado, o volume de vendas no varejo caiu 0,1% na comparação com novembro. No ano, entretanto, as vendas tiveram alta de 1,8%. O número de dezembro, de acordo com os especialistas, acende um alerta sobre o dinamismo e a retomada da economia de forma mais consistente este ano.

Em relação aos juros, após o corte de 0,25 ponto percentual na Selic na semana passada, o mercado enxerga que a entrada da moeda americana no Brasil ficará mais restrita, contribuindo para que o câmbio siga pressionado.

— O dólar deve continuar pressionado, principalmente por conta dos juros na mínima histórica. O coronavírus, por enquanto, não é mais o fator que faz com que o real fique depreciado frente à moeda americana — diz Álvaro Bandeira, economista-chefe do banco digital Modalmais. — Ou seja, os investidores não fazem o carry trade como antes.

Uma vez que os juros estão baixos, as operações conhecidas como carry trade ficam reduzidas. Essa operação ocorre quando os investidores tomam empréstimos em países com juros baixos (EUA, Japão etc.) para aplicar em títulos públicos de países emergentes, geralmente com juros elevados. Com a Selic a 4,25% ao ano, o mercado doméstico fica menos atraente para o investidor.

— Vale lembrar que a pressão no câmbio não é um fator novo desta semana. O que parece é que o mercado se convenceu a trabalhar com esse patamar de R$ 4,30 para câmbio e está testando o Banco Central, para avaliar até que ponto a autoridade monetária permite uma valorização da moeda americana sem intervir no mercado — avalia Jason Vieira, economista-chefe da Infinity Asset.

Destaques da Bolsa

Os índices asiáticos fecharam em alta após o comitê permanente do Partido Comunista da China afirmar que vai implementar uma política monetária prudente e outras medidas para conter a disseminação do coronavírus e combater o impacto da doença na economia do país.

O índice CSI300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzhen, subiu 0,81%. No Japão, o Nikkei encerrou os negócios com valorização de 0,74%.

Na Europa, o dia também é de ganhos. O FTSE (Londres) tem ganhos de 0,42%. CAC (PAris) e DAX (Frankfurt) avançam, respectivamente, 0,53% e 0,82%.