Dólar opera abaixo de R$ 5, com dados de emprego dos EUA; Ibovespa sobe

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RIO — O dólar operava em baixa ante o real nesta sexta-feira, com os investidores reagindo ao relatório com os dados sobre o mercado de trabalho nos Estados Unidos, que vieram acima das expectativas do mercado. O resultado era bastante aguardado, pois pode oferecer pistas sobre o futuro da política monetária no país.

Por volta de 10h30, a moeda americana era negociada a R$ 4,9936, baixa de 1,01%. No mesmo horário, o Ibovespa subia 0,53%, aos 126.326 pontos.

O principal índice da Bolsa de Valores tenta se recuperar depois de vários dias de baixa. Os investidores ainda repercutem as propostas apresentadas na segunda fase da reforma tributária, que afetam os negócios desde o fim da semana passada.

A essa questão, soma-se à turbulência política gerada nos últimos dias com as denúncias de irregularidades durante as trataivas para aquisição de vacinas, que também colaborou com a alta recente do dólar. No pregão de ontem, a divisa voltou a fechar acima da casa dos R$ 5.

Mercado de trabalho

O relatório, conhecido por payroll, mostrou que os EUA criaram 850 mil vagas de trabalho em junho, após um número revisado de 583 mil em maio.

O documento do Departamento do Trabalho indicou, porém, que a taxa de desemprego no país subiu para 5,9% em junho ante 5,8% em maio. A previsão era de uma taxa de 5,6%.

A média de uma pesquisa da Bloomberg feita com economistas previa uma geração de 720 mil vagas.

O relatório é importante, pois pode impactar na política de juros baixos adotada pelo Federal Reserve, banco central americano.

Os dirigentes do banco vêm reafirmando que ainda esperam uma retomada robusta do mercado de trabalho para pensar na retirada de estímulos. Dessa forma, uma recuperação rápida dos empregos pode antecipar uma alta nos juros, prejudicando mercados emergentes, como o brasileiro.

Isso em um contexto no qual os mercados vêm se comportando de forma bastante sensível em relação a qualquer sinalização de mudanças por parte do Fed.

Como destaca o analista da Toro Investimentos, Lucas Carvalho, mesmo com a maior geração de vagas, alguns dados dentro do relatório como a taxa de desemprego e o salário médio dos trabalhadores, que vieram abaixo do esperado, diminuem a pressão sobre o Fed.

— Isso coloca a possibilidade do Banco Central americano continuar com seu programa de estímulos. E isso é visto como positivo pelos mercados.

Na mesma linha o estrategista-chefe do banco digital Modalmais, Felipe Sichel, escreveu em comentário a clientes que, apesar dos dados positivos, existem atenuantes nos dados:

“O payroll mostra evidentemente a continuada recuperação do mercado de trabalho americano, um sinal que deve ensejar cautela por parte do Fed. Por outro lado, o avanço na taxa de desemprego e a estabilização dos salários podem ser tomados como atenuantes do relatório”.

Ações

Entre as ações, as ordinárias da Petrobras (PETR3, com direito a voto) subiam 0,30% e as preferenciais (PETR4, sem direito a voto), 0,24%.

As ordinárias da Vale (VALE3) subiam 1,36% e as da Siderúrgica Nacional (CSN3), 1,47%. As preferenciais da Usiminas (USIM5) avançavam 0,31%.

Após liderarem as altas na quinta-feira, as ordinárias da BR Distribuidora (BRDT3) subiam 1,68%.

Bolsas no exterior

Na Europa, as bolsas operavam com altas. Por volta de 10h40, no horário de Brasília, A Bolsa de Londres subia 0,14% e de Frankfurt, 0,32%. O índice CAC 40, da Bolsa de Paris, tinha alta de 0,05%.

As bolsas asiáticas fecharam com direções contrárias. O índice Nikkei, da Bolsa de Tóquio, subiu 0,88%. Em Hong Kong, houve queda de 1,80% e, na China, de 1,95%.

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