Dólar opera em alta e Ibovespa recua, após dados de inflação americana acima do esperado

·4 minuto de leitura

RIO — Após abrir próximo à estabilidade, o dólar apresentava alta no início desta terça-feira, acompanhando o movimento da divisa no exterior. Os investidores repercutem dados sobre a inflação americana acima do esperado. Os números são importantes, pois podem oferecer pistas sobre o futuro da política monetária no país.

Na cena doméstica, o destaque vai para a entrega do relatório da reforma tributária. O relator, deputado Celso Sabino (PSDB-PA), deve apresentar seu relatório preliminar em reunião com líderes partidários às 12h.

Há expectativa que a proposta original do governo sofra ajustes.

Além disso, estão no radar novidades vindas de Brasília a respeito das investigações sobre o governo no processo de aquisição de vacinas e dados sobre o setor de serviços em maio.

O setor avançou 1,2% em maio, na comparação com abril, e voltou a ficar acima do patamar pré-pandemia, segundo dados divulgados nesta terça-feira pelo IBGE.

Por volta de 10h30, a moeda americana era negociada a R$ 5,2002, alta de 0,49%. No mesmo horário, o Ibovespa tinha baixa de 0,18%, aos 127.370 pontos.

Inflação acima do esperado

Nos Estados Unidos, o índice de preços ao consumidor subiu 0,9% em junho em comparação a maio e 5,4% na base anual, informou o Departamento do Trabalho. Os números vieram acima das expectativas do mercado, sendo esse o maior aumento para o mês em 13 anos.

O núcleo da inflação, que exclui preços voláteis de alimentos e energia, também subiu 0,9% em junho ante maio, chegando aos 4,5% na base anual.

Os dados de inflação são importantes, pois são um dos fatores que influenciam na tomada de decisões do Federal Reserve, banco central americano, sobre a política estimulativa de juros baixos no país.

Os juros baixos por lá favorecem mercados emergentes, como o brasileiro, pois estimula que os investidores coloquem seus dólares por aqui, contribuindo para a queda do valor da divisa.

Quando predomina o sentimento de que um maior aperto monetário pode estar no horizonte, a tendência é que esses investidores sejam mais seletivos na momento de aportar seus recursos, prejudicando moedas como o real.

Ainda no debate sobre a retirada de estímulos, o presidente do Fed de Saint Louis, James Bullard, disse, em entrevista ao jornal Wall Street Journal, que já é o momento do banco desacelerar a compra de títulos. Mas, ele ressaltou que a mudança deve ser feita de forma cuidadosa.

O CIO da Tag Investimentos, Dan Kawa, em comentário em blog, disse acreditar que os números do dia ainda não devem ser suficientes para alterar drasticamente a postura do Fed, mas podem deixar os membros mais preocupados com o tema.

“Nos atuais níveis de preço dos ativos internacionais, espero espasmos de volatilidade e alguma realização de lucros em crédito privado, ações de tech e crescimento [...] O número de hoje justifica uma postura mais defensiva para os próximos dias/semanas e pode levar a movimentos importantes entre classes de ativos e setores dentro da bolsa”.

Em comentário a clientes, o estrategista-chefe do banco digital Modalmais, Felipe Sichel, também destaca a intensificação do debate sobre a política monetária

“Permanecem os riscos em relação a aceleração dos preços de serviços e extensão maior do choque nos bens. Caso mantido e sem sinais de perda de dinamismo no mercado de trabalho, esperamos intensificação do debate em torno da normalização de política monetária”, escreveu Sichel.

Ações

Entre as ações, as ordinárias da Petrobras (PETR3, com direito a voto) cediam 0,04% e as preferenciais (PETR4, sem direito a voto),0,47%.

As ordinárias da Vale (VALE3) subiam 0,29%.

No setor financeiro, o início do pregão era de perdas. As preferenciais do Itaú (ITUB4) e do Bradesco (BBDC4) cediam 0,71% e 0,44%, respectivamente.

As ordinárias do Banco do Brasil caíam 0,52%.

Bolsas no exterior

Na Europa, as bolsas operavam com leves altas. Por volta de 10h45, no horário de Brasília, a Bolsa de Londres subia 0,14%. Em Frankfurt e Paris, havia alta de 0,08%.

As bolas asiáticas fecharam em alta. O índice Nikkei, da Bolsa de Tóquio, subiu 0,52%. Em Hong Kong, houve alta de 1,63% e, na China, de 0,53% .

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos