Dólar opera em alta, influenciado pelo exterior. Bolsa cai

O Globo
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RIO — O dólar opera em alta frente ao real no início do pregão desta sexta-feira. Os investidores avaliam os possíveis impactos políticos da instalação da CPI da Covid pelo Senado, por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF) e que impactos ela pode causar na novela sobre o Orçamento de 2021.

Por volta de 10h40 , a moeda americana era negociada a R$5,63 , alta de 1,13%. A Bolsa, por sua vez, opera em queda. No mesmo horário, o índice Ibovespa cedia 0,70%, aos 117.479 pontos.

Os juros dos títulos do Tesouro americano avançavam a 1,66% pela manhã, ante 1,64% do dia anterior, contribuindo para um fortalecimento da divisa pelo mundo.

Inflação

A inflação acelerou em março, subindo 0,93% em relação ao mês de fevereiro, segundo dados divulgados pelo IBGE, nesta sexta-feira.

A expansão foi ocasionada, sobretudo, pelo aumento do preço de combustíveis. Em 12 meses, o índice já registra aumento de 6,10%.

Com o resultado, se encontra acima do teto da meta estabelecida para este ano, que é de 3,75%, podendo variar entre 2,25% e 5,25%.

O aumento da inflação foi o principal motivo para o Banco Central (BC) elevar a taxa básica de juros, a Selic, em 0,75 ponto percentual na sua última reunião monetária. A tendência é que novo aumento no mesmo patamar seja realizado na próxima reunião.

Analistas observam o ritmo de elevação da taxa e seus possíveis efeitos reais para a economia, já que a elevação do IPCA resulta mais de fatores como o dólar alto, a instabilidade política e a crise fiscal do que propriamente um aumento do consumo da população.

Novela do Orçamento

Em mais um capítulo da novela sobre a aprovação do Orçamento para 2021, o presidente Jair Bolsonaro decidiu entrar diretamente na negociação política para resolver o impasse, após sucessivos desgastes entre o Ministro da Economia, Paulo Guedes, e o Congresso.

Além de se reunir com equipe do ministério, Bolsonaro se encontrou com o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL) para uma conversa sobre o assunto no Plácio do Planalto.

A equipe econômica defende o veto integral das despesas indicadas pelo relator da proposta orçamentária, senador Márcio Bittar (MDB-AC). Já Lira defende a sanção de Bolsonaro, com a realização de ajustes na sequência.

O chefe do Executivo vem tentando se equilibrar na última semana entre manter o respeito ao teto de gastos e o temor de sofrer retaliações de sua base no Congresso.

O imbróglio vem sendo acompanhado pelo mercado, temeroso pelo impacto que um Orçamento inexequível pode ter para as, já deterioradas, contas públicas do país.

Segundo analistas da Guide Investimentos, em relatório matinal, a CPI deve ser mais um elemento na extensa lista de ruídos que vêm de Brasília. Mas a questão principal segue sendo a da pauta orçamentária.

“No entanto, o que segue tirando o sono do mercado é a falta de um desfecho para o orçamento.Desta forma, esperamos uma sessão de viés negativo para ativos locais, movimento que poderá ser revertido caso o governo surpreenda com algum desfecho positivo para o orçamento”.

Bolsas no exterior

Nos Estados Unidos, as bolsas operavam com sinais contrários. Por volta de 10h50, no horário de Brasília, o índice Dow Jones subia 0,27%, enquanto o S&P tinha estabilidade. Já o Nasdaq, cedia 0,37%.

As bolsas europeias operam sem direção única nesta sexta-feira. Também por volta de 10h50, em Brasília, a Bolsa de Londres caia 0,33%, enquanto Frankfurt cedia 0,02%. Já o índice CAC 40, da Bolsa de Paris, avançava 0,12%.

Na Ásia, as bolas fecharam em queda. Em Honk Kong, o recuro foi de 1,07% e na China, de 0,92%. A exceção foi a de Tóquio, que avançou 0,2%.