Dólar opera em alta influenciado pelo exterior e em dia de definição sobre juros

Vitor da Costa
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RIO — O dólar começou o pregão desta quarta-feira em alta frente ao real. O dia é cercado de expectativas pelos anúncios de como será a condução das políticas monetárias no Brasil e nos Estados Unidos, com a realização de reuniões por seus bancos centrais. Por aqui, a previsão do mercado é de uma alta de 0,5 ponto percentual na taxa básica de juros, a Selic.

Por volta de 11h, a moeda americana era negociada a R$ 5,64, uma alta de 0,51%. A Bolsa tinha queda de 0,15%, aos 113.847 pontos.

Entre os motivos para o fortalecimento do dólar pelo mundo está a valorização dos rendimentos dos títulos do Tesouro americano, que avançavam para um patamar de 1,66%. Isso atrai investidores, em busca de ativos mais seguros, provocando a desvalorização de moedas emergentes, como o real.

Expectativa

Nos Estados Unidos, o Federal Reserve, banco central americano, deve decidir pela manutenção da taxa de juros no país entre 0% e 0,25%. Após o anúncio, o presidente do Fed, Jerome Powell, dará uma entrevista coletiva, indicando as sinalizações da autoridade monetária para a política econômica neste ano.

Apesar de dados fracos no varejo e produção industrial divulgados ontem, acredita-se em uma recuperação mais rápida da economia americana.

Entre os fatores, está a aceleração da campanha de vacinação contra a Covid-19 no país e os estímulos dados pelo governo central por meio do pacote de US$ 1,9 trilhão aprovado recentemente.

Há preocupações de que essa retomada possa gerar mais inflação, levando a autoridade monetária a antecipar uma alta de juros. Porém, o Fed já deu indícios de que o patamar baixo deve ser mantido.

No Brasil, o cenário é mais complicado. Com uma moeda depreciada e uma inflação crescente, espera-se um movimento mais duro do BC. A

s projeções estão em uma alta de 0,5 ponto percentual, a primeira de algumas que virão. Alguns especialistas, inclusive, afirmam que não se surpreenderiam com uma elevação de 0,75 ponto percentual.

"O recrudescimento da pandemia ameaça o retorno da atividade econômica e o alto desemprego é um fator de baixa para os núcleos da inflação ao longo deste e do próximo ano. No entanto, o balanço de riscos se deteriorou desde a última reunião do Copom. Houve elevação das expectativas de inflação, depreciação cambial e risco de aperto nas condições financeiras globais devido à elevação dos juros longos norte-americanos.", escreveram analistas da Genial Investimentos em nota matinal.

Dessa forma, para além do número em si, o comunicado que será emitido após reunião também é uma fonte de pistas sobre o ritmo que se espera para essa alta.

No exterior

As bolsas na Europa operavam em queda nesta terça-feira. Os investidores aguardam não só a decisão do Fed, como também do Banco Central da Inglaterra. Por volta das 10h30(horário de Brasília), a Bolsa de Londres tinha queda de 0,60%, Frankfurt oscilava perto da estabilidade e o índice CAC 40, da Bolsa de Paris, operava em leve alta de 0,3%.

A Bolsa de Tóquio caiu 0,02%, enquanto a da China, cedeu 0,03%. O índice da Bolsa de Hong Kong, por sua vez, teve ligeira alta de 0,02%.