Dólar opera em queda, com expectativas sobre ata do BC americano. Bolsa tem leve alta

Vitor da Costa
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RIO — O dólar opera em queda frente ao real nesta quarta-feira. Os investidores aguardam a divulgação da ata da última reunião de política econômica do Fed, banco central americano. No cenário interno, as atenções seguem voltadas para o combate à pandemia, um dia após o país ter registrado número recorde de mortes, e para as discussões sobre o Orçamento de 2021.

Por volta de 12h10, a moeda americana era negociada a R$ 5,5582, baixa de 0,73%. A Bolsa subia, após começar o dia no negativo. No mesmo horário, o índice Ibovespa tinha alta de 0,33%, aos 117.889 pontos.

A divisa já vinha sofrendo uma correção dos lucros obtidos na semana passada, quando chegou a passar dos R$ 5,80. O fato de os rendimentos dos títulos do Tesouro americano estarem estáveis na casa dos 1,70% também favorece a reação do real vista nos últimos dias.

Quando esses títulos estão mais altos, os investidores tendem a migrar seus recursos para os Estados Unidos, promovendo a saída de ativos de países emergentes, como o Brasil.

Entre a ações, as ordinárias da Petrobras (PETR3, com direito a voto) subiam 0,17% e as preferenciais (PETR4), 0,50%. As ordinárias da Vale (VALE3) tinham alta de 1,57%.

Sinalização do Fed

O documento que será divulgado pelo Fed, na parte da tarde aqui no Brasil, não deve trazer grandes novidades em relação ao que já foi dito pelo presidente da autoridade monetária, Jerome Powell, em aparições recentes no Congresso americano e em entrevistas.

A expectativa dos agentes de mercado fica por conta do teor do documento, na busca por identificar que fatores levariam a um possível aumento dos juros no futuro e em que velocidade isso poderia ocorrer.

Apesar do Fed já ter dado sinalizações de que será tolerante com um eventual aumento da inflação e aumento dos gastos públicos, tais questões estão no radar do mercado.

Impasse do Orçamento e jantar

As discussões para resolver o impasse criado no Orçamento de 2021 devem seguir no radar dos investidores até a sanção do texto pelo presidente Jair Bolsonaro.

Nesta semana, as negociações parecem caminhar para uma solução, o que pode melhorar o humor dos investidores, sobretudo, se houver uma sinalização no texto final de respeito ao teto de gastos, com a retirada de recursos para emendas parlamentares.

Em parecer técnico, o Tribunal de Contas da União (TCU) afirmou que precisa de mais informações para analisar as falhas no Orçamento aprovado pelo Congresso.

No documento, a área técnica da Corte aponta problemas no projeto e pede que o Ministério da Economia e a Casa Civil se posicionem oficialmente sobre a proposta, levando-se em consideração as normas fiscais vigentes.

" A manutenção do impasse em torno do ajuste do orçamento segue no radar dos investidores. Desta forma, esperamos uma nova sessão de viés neutro/negativo para ativos locais, que deverão encontrar dificuldades para sustentar os níveis atuais até que haja avanços concretos com relação ao Orçamento", escreveram analistas da Guide Investimentos, em relatório.

Na terça-feira, o presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, afirmou que o impasse envolvendo o Orçamento criou "incerteza" para a economia.

Bolsonaro, por sua vez, deve comparecer a um jantar, nesta quarta-feira, para tentar se reaproximar com uma parte de empresários. A expectativa é que sejam tratados temas como a vacinação, inclusive pelo setor privado, e a, paralisada, agenda de reformas econômicas.

Bolsas no exterior

Nos Estados Unidos, os mercados abriram próximos à estabilidade, com expectativas sobre a ata do Fed. Por volta de 11h, no horário de Brasília, o índice Dow Jones tinha alta de 0,02%, ao passo que o S&P e Nasdaq subiam a 0,12% e 0,02%, respectivamente.

As bolas europeias operam em baixa, após uma terça-feira positiva. Também por volta de 11h, em Brasília, a Bolsa de Londres tinha alta de 1,01%, ao passo que o índice CAC 40, da Bolsa de Paris, subia a 0,10%. Em Frankfurt, a queda era de 0,18%.

Na Ásia, as bolsas fecharam sem direção única. O índice Nikkei, da Bolsa de Tóquio, encerrou em alta de 0,12%. As bolsas de Hong Kong e China caíram a 0,91% e 0,10%, respectivamente.