Dólar passa a subir ante real em meio a baixa liquidez de fim de ano

Luana Maria Benedito
·3 minuto de leitura
Dólar recua ante real com alívio após novas medidas de estímulo nos EUA

Por Luana Maria Benedito

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar deixou para trás as perdas iniciais e passou a subir com força ante o real nesta segunda-feira, em reta final de ano que costuma ser marcada por volatilidade e menor liquidez.

Às 12h02, o dólar à vista subia 1,02%, a 5,2591 reais, depois de oscilar entre 5,2618 reais (+1,07%) e 5,1646 reais (-0,80%).

O contrato mais líquido de dólar futuro --o para janeiro de 2021, que expira na próxima segunda-feira-- tinha alta de 0,77%, a 5,2565 reais.

Vários operadores chamavam atenção para a baixa liquidez dos mercados com a aproximação do Ano Novo, com o menor giro potencializando volatilidade. A expectativa de compra bilionária de dólares por bancos na virada do ano, por causa do desmonte do "overhedge", era apontada como possível fator de pressão para o real.

"Com o final de ano, a liquidez reduzida pode gerar algum movimento mais brusco nos mercados", disse à Reuters João Freitas, analista da Toro Investimentos.

Já a questão do overhedge pode trazer pressão para o mercado de câmbio, mas nada muito destoante para fazer o dólar subir exageradamente contra o real no curto prazo, opinou. "Desde o começo de dezembro vimos o Banco Central ampliando oferta de swaps para melhorar liquidez."

O "overhedge" é uma proteção cambial adicional adotada por bancos que deixou de ser interessante depois de mudanças, anunciadas no começo de 2020, em regras tributárias. Desfazer o "overhedge" implica compra de dólares.

Algumas estimativas de mercado apontam valores em torno de 16 bilhões de dólares de tomada de moeda, volume parcialmente compensado pela perspectiva de que o BC despeje um total de 9,602 bilhões de dólares em dinheiro novo via swaps.

Nos mercados internacionais, o dia era de alívio depois que novas medidas de auxílio econômico foram aprovadas nos Estados Unidos. O presidente norte-americano, Donald Trump, sancionou no domingo um pacote de ajuda pela pandemia e de gastos no valor total de 2,3 trilhões de dólares, restaurando o auxílio-desemprego a milhões de cidadãos e evitando a paralisação do governo federal.

Após meses de ansiedade em relação ao mercado de trabalho e à saúde das empresas da maior economia do mundo, os mercados internacionais comemoravam a notícia, recebendo ainda o impulso do acordo comercial pós-Brexit entre o Reino Unido e a União Europeia (UE).

Os principais índices de Wall Street atingiram máximas recordes na abertura desta segunda-feira.

Enquanto isso, sem expectativas de movimentações importantes em Brasília com a aproximação do fim do ano, investidores locais devem levar sua ansiedade em relação ao cenário fiscal doméstico --que tem dominado o radar dos mercados nos últimos meses.

Em meio também a atrasos na agenda de reformas estruturais, os mercados devem ficar à espera de garantias concretas de que o governo não desrespeitará seu teto de gastos em 2021.

Na última sessão, na quarta-feira da semana passada, o dólar registrou alta de 0,70%, a 5,2002 reais na venda, maior valor desde 2 de dezembro (5,2422 reais).

A moeda norte-americana acumula salto de aproximadamente 31% contra o real no ano de 2020, a caminho da maior alta anual desde 2015, quando a cotação disparou 48,5%, e do quarto ano seguido de valorização.