Dólar segue acima de R$ 4,30, em meio a temores sobre coronavírus

Gabriel Martins

O dólar comercial segue acima do patamar de R$ 4,30 nesta segunda-feira. A moeda americana é negociada a R$ 4,321, mesmo operando estável frente ao real. No mercado acionário, o Ibovespa (índice de referência da Bolsa de São Paulo) registra recuo de 0,39%, aos 113.331 pontos. O avanço do coronavírus, além de juros baixos no Brasil, são apontados como os responsáveis pela disparada no câmbio, que afeta desde o preço de importados até aluguéis.

Na China, os dados mais recentes (referentes a domingo) apontam que 908 pessoas já morreram por conta da doença respiratória causada pelo vírus. Em relação aos infectados, já são mais de 40 mil na China, de acordo com a Comissão Nacional de Saúde do país.

— O dólar fica pressionado especialmente por conta do cenário externo. Enquanto o surto de coronavírus não for revertido, a direção do dólar tende a ser de alta frente ao real — diz Silvio Campos Neto, economista da consultoria Tendências.

Nesta segunda, após o prolongamento do feriado de Ano Novo Lunar, a maior parte dos chineses voltam às atividades. O momento é visto como decisivo para avaliar se a doença caminha para um controle ou se o quadro ficará pior.

"Os investidores em todo o mundo seguem preocupados com o coronavírus e a possibilidade de o impacto ser maior que está sendo anunciado", escreveu Álvaro Bandeira, economista-chefe do banco digital Modalmais.

Além disso, pesa no caso do mercado brasileiro a recente redução de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros (Selic), renovando o piso histórico para 4,25% ao ano.

— Os juros baixos no Brasil também não geram estímulo à entrada de capitais (dólar) no país, uma vez que os retornos da renda fixa estão menos atraentes — avalia Campos Neto.

O que o economista se refere é à operação chamada carry trade, que ocorre quando os investidores tomam empréstimos em países com juros baixos (como EUA, Japão e membros da União Europeia) para aplicar em títulos públicos de países emergentes, geralmente com juros elevados. Como os juros brasileiros renovaram a mínima histórica (atualmente estão em 4,25% ao ano), o mercado doméstico fica menos atraente para o investidor.

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