Dólar sobe 1% e chega a R$3,16 com temores sobre Previdência

Por Claudia Violante
Notas de dólar dos Estados Unidos. 07/11/2016 REUTERS/Dado Ruvic

Por Claudia Violante

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar subia 1 por cento e voltava ao patamar de 3,16 reais nesta terça-feira com os investidores temerosos que a reforma da Previdência possa não ser aprovada no Congresso Nacional após o PSB, partido da base governista, fechar questão contra a medida.

Às 10:22, o dólar avançava 1,07 por cento, a 3,1602 reais na venda, depois de recuar quase 1 por cento na véspera. Na máxima da sessão, a moeda norte-americana atingiu 3,1641 reais. O dólar futuro subia cerca de 1 por cento.

"O receio é de que outras siglas governistas sigam o mesmo exemplo", afirmou a Advanced Corretora em relatório.

Na noite passada, o PSB, partido da base do governo do presidente Michel Temer e que está à frente do Ministério de Minas e Energia com Fernando Coelho Filho, decidiu se posicionar contra as reformas trabalhista e da Previdência. A legenda tem bancada de 35 deputados federais.

"O mercado ainda não jogou a toalha porque acredita na articulação do presidente Michel Temer e que ele vai conseguir aprovar os textos", afirmou o profissional de uma corretora local.

O governo continuava atuando nos bastidores para garantir a aprovação das reformas, com foco para a da Previdência, considerada essencial para colocar as contas públicas do país em ordem.

Temer decidiu exonerar seus ministros com mandato de deputado quando for marcada a votação da Previdência e, pelo menos por enquanto, manter o ministro do PSB e trabalhar com a parte da bancada socialista que diz apoiar as reformas.

A alta do dólar ante o real também era justificada pelo início da briga pela formação da Ptax --taxa do Banco Central que baliza vários contratos cambiais.

"Quem quer montar posição, começa a brigar dias antes", afirmou o gerente de operações da B&T Corretora, Marcos Trabbold.

No exterior, o dólar subia ante divisas de países emergentes, com os investidores à espera do anúncio de medidas tributárias pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Há expectativa de que reduza a alíquota de imposto de renda corporativo para 15 por cento.

O Banco Central realiza nesta sessão novo leilão de até 16 mil swaps cambiais tradicionais --equivalentes à venda futura de dólares-- para rolagem dos contratos que vencem em maio.

(Edição de Patrícia Duarte)