Dólar sobe 2,4%, para R$ 5,209, com tensão política no Brasil e força da moeda no exterior

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***FOTO DE ARQUIVO*** São Paulo, SP, Brasil, 24-01-2019: Cédulas de dólar. Papel Moeda. Dinheiro. (Foto Gabriel Cabral/Folhapress)
***FOTO DE ARQUIVO*** São Paulo, SP, Brasil, 24-01-2019: Cédulas de dólar. Papel Moeda. Dinheiro. (Foto Gabriel Cabral/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O mercado financeiro brasileiro segue pressionado pelos riscos políticos envolvendo a CPI da Covid e pelos riscos inflacionários, com a crise hídrica e a alta nos combustíveis.

Nesta terça-feira (6), o cenário negativo levou o dólar a subir 2,39%, a R$ 5,2090, maior patamar desde 31 de maio e maior alta diária desde 18 de setembro de 2020 (2,77%).

Na máxima do pregão, a moeda foi a R$ 5,2130. O dólar turismo está a R$ 5,363.

Com a alta nesta sessão, a moeda americana praticamente se recuperou da forte queda de 4,81% em junho, já acumulando alta de 4,77% em julho.

"Os possíveis vilões [para o real] vão de temores inflacionários até possíveis desdobramentos da CPI da Covid que aparentemente está próxima demais de queimar as pontes entre o Planalto e o Centrão, uma vez que grandes nomes da aliança política do presidente (contando aí os militares) estão envolvidos no imbróglio dos últimos dias", afirma André Perfeito, economista-chefe da Necton.

O governo de Jair Bolsonaro está envolto em suspeitas referentes a compras de vacinas e, na semana passada, a ministra Rosa Weber, do STF (Supremo Tribunal Federal), autorizou a abertura de inquérito para investigar suposto crime de prevaricação do presidente.

Nesta terça, o real foi a moeda que mais se desvalorizou no mundo, enquanto o dólar ganhou força ante seus principais pares globais.

"O comportamento dos ativos financeiros no Brasil continua refletindo o cenário político, em especial, o desenrolar da CPI da pandemia", explicaram em nota analistas da Genial Investimentos. "As denúncias de corrupção na compra de vacinas têm se constituído em um importante fator de incertezas."

Segundo Victor Beyruti, economista da Guide Investimentos, além dos fatores domésticos, o mercado local também foi influenciado pelo viés negativo dos mercados estrangeiros na sessão. "Isso tudo, combinado com o forte desempenho do real em junho, resulta nessa correção forte", afirma.

O Ibovespa caiu 1,43%, a 125.094,88 pontos, puxado por uma queda de cerca de 4% da Petrobras, que acompanhou o recuo de aproximadamente 3% nos preços internacionais do petróleo.

Investidores estão receosos enquanto aguardam a divulgação da ata da última reunião do Fed (banco central americano) na quarta (7) e uma resolução da Opep+ (Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados), que teve a sua última reunião cancelada por impasse entre os membros.

"Ano passado a Opep já se encontrou numa disputa com relação à produção e acabou gerando uma guerra de preços. Esse ainda não é o cenário base, mas o mercado já começa ficar receoso", diz Beyruti.

Em Wall Street, o S&P 500 recuou 0,20% e o Dow Jones, 0,60%. Nasdaq teve leve alta de 0,17%.

O foco dos mercados internacionais está na ata da última reunião de política monetária do Fed, que pode oferecer pistas sobre quando e como o banco central americano reduzirá seu estímulo e elevará os juros. Qualquer sinalização mais dura com a inflação pode beneficiar o dólar, dizem especialistas.

Além disso, analistas do Bradesco afirmaram em nota que preocupações com os impactos da variante Delta do coronavírus sobre o processo de reabertura da economia global pesam sobre os negócios.

A cepa Delta é altamente transmissível e tem elevado a cautela dos investidores nos últimos dias, principalmente devido à disparada de casos em países asiáticos. Ocorrências dessa variante já foram identificadas no Brasil.

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