Dólar sobe com Orçamento, mas perde fôlego com dados de inflação americana

Gabriel Shinohara, com agências
·2 minuto de leitura

RIO e BRASÍLIA — O dólar comercial abriu em alta firme e chegou a superar brevemente o patamar de R$ 5,70 na manhã desta sexta-feira, após a votação do Orçamento na véspera. No entanto, perdeu força após dados de inflação nos Estados Unidos virem ligeiramente abaixo da expectativa.

Por volta de 12h, a moeda americana subia 0,36%, a R$ 5,6907, após tocar R$ 5,7160. Esta é a primeira vez desde 9 de março que o dólar supera os R$ 5,70, segundo o Valor Econômico.

Já o Ibovespa subia 1,29%, aos 115.217 pontos, impulsionado por ações de empresas ligadas a commodities. Tanto o petróleo como o preço do minério de ferro avançam. Assim, as ações da Vale ON (com voto) subiam 2,66%, enquanto as da Petrobras tinham alta de 2,13% (ON) 1,81% (PN, sem voto).

Para analistas, a votação do Orçamento do Congresso indica que há a possibilidade de se furar o teto de gastos. Isso porque foram feitas várias manobras para as receitas cobrirem as despesas, como os cortes nos gastos com Previdência, que são obrigatórios.

Essa avaliação pressionou bastante o câmbio no início da manhã. A alta do dólar só não é maior porque o índice de preços de gastos de consumo pessoal (PCE, na sigla em inglês) nos EUA teve alta de 1,6% em fevereiro na comparação anual.

O núcleo do indicador teve alta de 1,4% no ano, ligeiramente abaixo da expectativa de 1,5% feita por economistas consultados pelo Wall Street Journal. Isso acabou aliviando um pouco o câmbio.

Investimento maior que expectativa

Também nesta sexta-feira o Banco Central divulgou os dados de Investimento Direto no País, o IDP, de fevereiro. Foram US$ 9 bilhões, o maior registro para o mês desde 2011.

O resultado positivo quebra uma sequência de números negativos registrados nos últimos meses decorrentes da incerteza e do impacto econômico da pandemia. Em 2020, o resultado anual foi o menor em 11 anos e a trajetória parecia continuar em janeiro, quando o IDP foi o menor para o mês desde 2006.

O IDP engloba investimentos duradouros no país, como a expansão da capacidade produtiva de uma fábrica ou investimentos em uma nova filial de uma empresa estrangeira.

Os US$ 9 bilhões de investimentos surpreenderam também o BC, que esperava por um ingresso de US$ 6,5 bilhões.

Apesar de um número isolado do mês não necessariamente representar uma tendência, a projeção do BC para março é de que o IDP fique em US$ 7 billhões.

Se a expectativa se concretizar, seria menor do que o registrado no mesmo mês de 2020, quando US$ 7,4 bilhões entraram no país, mas bem superior à média dos últimos 12 meses, que tem ficado abaixo dos R$ 3 bilhões.