Dólar sobe e é cotado acima de R$ 5,60, com contas públicas e inflação no radar de investidores

O Globo
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RIO — O dólar é cotado em alta no início desta quinta-feira, seguindo o movimento observado no fim do pregão anterior. Às preocupações da véspera com as contas públicas, somam-se hoje as projeções econômicas divulgadas pelo Banco Central (BC) e o avanço da inflação, como indicado pelo IPCA-15.

Por volta de 10h48, a moeda americana era negociada a R$ 5,66, alta de 0,54%. No mesmo horário, o índice Ibovespa tinha leve queda de 0,04%, aos 112.109 pontos.

No fim do pregão de ontem, a divisa ganhou bastante força frente ao real, devido ao avanço da pandemia no país e as preocupações cada vez maiores sobre a situação fiscal.

A pressão de governadores para que o governo aumente o valor do novo auxílio emergencial para R$ 600, mesma quantia paga no ano passado, levantou tremores entre os investidores sobre as já deterioradas contas públicas.

A tentativa do presidente Jair Bolsonaro de se reunir com membros dos três Poderes e anunciar a criação de um comitê anticovid, quase um ano após o início da pandemia, parece não ter convencido o mercado.

No mesmo dia, o país superou as 300 mil mortes pelo coronavírus e vive sob novas medidas de restrição para tentar conter a doença.

Revisões e inflação

O BC revisou sua expectativa de crescimento do PIB para baixo, projetando uma alta de 3,6% em 2021. A projeção anterior, de dezembro, era de avanço de 3,8%. O novo dado foi divulgado nesta quinta, no Relatório Trimestral de Inflação. O banco ressaltou, no entanto, que esse crescimento dependerá da manutenção do regime fiscal anual e do avanço de reformas no país.

A autoridade monetária também aumentou a estimativa de inflação para 2021 de 3,4% em dezembro para 5%. Se isso de fato ocorrer, a inflação ficará acima do centro da meta para o ano, que é de 3,75%, mas dentro do intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo (2,25% a 5,25%).

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), que é uma prévia da inflação oficial do país, saltou para 0,93% março, segundo divulgou nesta quinta-feira o IBGE.

Trata-se do maior resultado para um mês de março desde 2015 (1,24%) e da maior taxa mensal desde dezembro (1,06%).

Bolsas no Exterior

As bolsas europeias operam com quedas. Vários países do continente voltaram a anunciar medidas restritivas nos últimos dias, como Alemanha e França, e têm dificuldades em acelerar o ritmo da vacinação.

Isso afasta o apetite dos investidores por maior risco e sinaliza que a retomada econômica será mais lenta.

Por volta de 09h36, no horário de Brasília, a Bolsa de Londres tinha baixa de 1,17%, enquanto Frankfurt e Paris cediam 1,06% e 0,83%, respectivamente.

As bolsas na Ásia fecharam sem direção única nesta quinta. O índice Nikkei, da Bolsa de Tóquio, teve alta de 1,14%. Já a Bolsa de Hong Kong fechou em queda de 0,07% e a da China cedeu 0,1%.